quarta-feira, 14 de julho de 2010

LOGOS vs RHEMA

Por Pr. Paulo Henrique

     Cansei de ouvir a falácia[1] do movimento da confissão positiva, sobre os termos gregos "logos" e "rhema", sendo repetida por muitos pregadores, que, infelizmente, não seguem o exemplo dos judeus de Beréia (At 17.11).
     Os pregadores da confissão positiva alegam que “logos” é a palavra escrita de Deus (como a temos na Bíblia), ao passo que, “rhema” é a palavra revelada de Deus para cada indivíduo através do Espirito Santo para uma situação específica. Rhema é a “palavra” que eles usam para “decretar” ou “declarar”, com o objetivo de trazer a prosperidade ou cura. Este falso ensino se popularizou, principalmente (mas, não somente), através do livro "A quarta dimensão" de Paul (David) Yonggi Cho, onde ele escreve:

     “No grego há duas palavras diferentes para "palavra": logos e rhema. O mundo foi criado pela palavra logos de Deus. Logos é a palavra geral de Deus, que se estende desde o livro do Gênesis ao Apocalipse, pois todos estes livros falam acerca de Jesus Cristo, direta ou indiretamente. Ao ler a palavra logos do Gênesis ao Apocalipse a pessoa pode receber todo o conhecimento de que necessita a respeito de Deus e de suas promessas; mas pela simples leitura a pessoa não recebe fé. A pessoa recebe conhecimento e compreensão acerca de Deus, mas não recebe fé.”[2]

     Ele ainda acrescenta:

     “Rhema procede de logos. Logos é como o tanque de Betesda. Você pode ouvir a Palavra de Deus e pode estudar a Bíblia, mas somente quando o Espírito Santo vem e aviva uma passagem ou passagens da Escritura ao seu coração, queimando-as em sua alma e dando-lhe a conhecer como aplicá-las diretamente à sua situação específica é que logos se transforma em rhema.”[3]

     Os pregadores da confissão positiva afirmam que:
    * "Rhema" significa uma palavra que produz fé e "logos" traz somente conhecimento.
    * "Rhema" é subjetiva e "logos" é objetivo.
    * "Rhema" é a palavra específica e "logos" é a palavra genérica.
    * "Rhema" é contemporâneo e "logos" é eterno.
    * "Rhema" é a palavra agora e "logos" é a própria Bíblia.
    * "Rhema" é uma palavra reveladora e "logos" é a palavra escrita.
    * "Rhema" contém o poder e a palavra "logos" é apenas letras pretas em papel branco.

     No entanto, estas alegações são absolutamente contrárias às Escrituras. Na Septuaginta e no Novo Testamento, os termos gregos “rhema” e “logos”, são usados alternadamente. Um estudo apurado sobre o assunto demonstra que não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos no grego original, onde, muitas vezes, eles são usados como sinônimos. O termo “rhema” significa “palavra, qualquer coisa falada, assunto do discurso”, enquanto “logos” apresenta uma extensa variedade de significados como: “palavra, discurso, pregação, relato, etc.”. Mas ambos os termos são concordantes.
   A Septuaginta traduz tanto “logos” como “rhema” a partir da palavra hebraica “dabar”, que se significa “palavra falada ou escrita; discurso, o assunto do discurso, uma unidade mínima do discurso”. Na verdade a diferença entre “logos” e “rhema” é apenas uma questão de estilo e não, propriamente de significado.
     Nos Evangelhos logos é usada, na maioria dos casos, como uma palavra falada. Desta forma, não há base bíblica para sustentar que logos deva ser interpretado como palavra escrita somente, além do que, o Novo Testamento utiliza a palavra grega “grafe” (Escrituras) para se referir especificamente à palavra escrita.
     Em Atos 10.44, o apóstolo Pedro equipara “logos” a “rhema”: "Enquanto Pedro ainda dizia essas coisas [rhema], o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a palavra [logos]”.
     Paulo Romeiro, citando o Dr. Russel Shedd, que é uma das maiores autoridades do Novo Testamento no Brasil, faz uma importante observação:

     “[...] O apóstolo Pedro não fez distinção entre estes dois termos quando escreveu 1 Pedro 1:23-25:
     v. 23: pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra (logos) de Deus, a qual vive e é permanente. v. 24: Pois toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; v. 25: a palavra (rhema) do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra (rhema) que vos foi evangelizada.
     Esta passagem é uma citação de Isaías 40:6-8. Na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento, o termo grego para ‘palavra’, no versículo 8, é (rhema), ficando assim confirmada a despreocupação de Pedro em usar tanto um termo quanto o outro como sinônimos.”[4]

    Depois de analisar as utilizações dos termos “rhema” e “logos”, fica claro que não há como sustentar biblicamente nenhuma distinção entre estes termos no Novo Testamento. Portanto, a falsa pretensão dos pregadores da confissão positiva que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos deve ser completamente rejeitada.

Notas:
[1] Falácia é qualquer enunciado ou raciocínio falso que simula a veracidade.
[2] CHO, Paul Yonggi. A quarta dimensão. São Paulo: Editora Vida, 1980, p. 43.
[3] Idem, p. 45.
[4] ROMEIRO, Paulo. Super crentes. São Paulo: Mundo Cristão, 1993, p. 26.

Um comentário:

  1. Ademario Melo da Silva27 de janeiro de 2012 15:14

    A Paz do Senhor Jesus,

    Gostei muito dessa explicação, pois a algum tempo venho sentindo um certo incomodo com certos mensageiros que ficam repetindo essa palavra, mas sem dar uma explicação convicente da mesma. apenas ficam dissendo: "vou trazer uma palavra rhema".

    Deviam seguir o exemplo do Mestre Jesus.
    "ensinando.......e pregando." Mt 4.23

    Dc. Ademario Melo da Silva (ademario_suzana@hotmail.com)
    Assembleia de Deus - Sergipe
    Pr. Presidente: Rev. Virginio de Carvalho Neto.

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