terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Pragmatismo na Igreja Brasileira

Por Pr. Paulo Henrique P. Cunha

Primeiro, é importante entendermos o que é pragmatismo. De acordo com Norman L. Geisler e Paul D. Feinberg, no livro “Introdução à Filosofia – Uma perspectiva cristã”, o pragmatismo era uma força dominante na filosofia norte-americana durante a primeira metade do século XX. Três figuras centrais do pragmatismo foram: Charles Sanders Peirce (1839-1914), William James (1842-1910) e John Dewey (1859-1952). De acordo com o pragmatismo, aquelas ideias, crenças ou hipóteses que “funcionam”, que têm utilidade, ou que são bem-sucedidas são consideradas verídicas. Aquelas que fracassam podem ser descartadas e consideradas falsas. A declaração famosa de William James é que o verdadeiro é “o conveniente na maneira do nosso pensar” assim como o justo é “o conveniente na maneira do nosso comportar-nos”. Em outras palavras, a verdade é determinada pelas consequências.
O pragmatismo americano tem desembarcado em terras brasileiras e influenciado negativamente a igreja brasileira. Os pragmatistas dizem: “se algo está funcionando é verdadeiro”. As experiências, e não mais a Palavra de Deus, têm sido usadas para determinar se algo é verdadeiro ou não. Com isto, ensinos e ideologias nocivas se multiplicam no seio da igreja brasileira com a falsa pretensão de serem verdadeiros, pois dizem, “se está dando certo é verdadeiro” ou, em outras palavras, “Deus está abençoando”. Infelizmente, muitos evangélicos têm abandonado a prática do discernimento, aceitando todo tipo de ensinos antibíblicos que causam confusão e condescendência com o erro.
Uma dessas novas ideologias é a teologia da prosperidade, onde seus “profetas” usam, em primeiro lugar, as experiências para atestar a veracidade de tal ensino. Alguns, também, chegam a usar a Bíblia, distorcendo versículos ou utilizando-os fora da contexto. Um dos textos preferidos dos “profetas” da teologia da prosperidade é a parte final de 2 Cr 20.20, que diz: “[...] Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis”. Os tais, se auto intitulam “profetas”, e exigem que todos os que desejam ser abençoados sigam seus ensinos sem questionamentos. Os tais “profetas” enganam os ingênuos, quando usam o texto fora do contexto, criando assim um pretexto. Basta uma rápida leitura do contexto de 2 Cr 20.20 para entendermos que o que os profetas falaram, foi na verdade, uma orientação do Senhor para uma batalha específica (2 Cr 20.14-17). Este texto não dá espaço para nenhuma pessoa ou “profeta”, trazer ensinos contrários a Palavra de Deus. Se alguém assim o faz, é um falso profeta. “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1Jo 4.1). É nos momentos de “muita unção” e “milagres” que devemos tomar o maior cuidado, medindo tudo e cada experiência pelo crivo (peneira) da Palavra de Deus. Pr. William Seymour, durante Avivamento da Rua Azuza, declarou: “Nós estamos medindo todas as coisas pela Palavra de Deus, cada experiência deve [tem a obrigação] de ser medida pela Bíblia” (grifo meu). A. W. Tozer faz uma importante observação: “O coração humano é herético por natureza. Os pensamentos religiosos populares devem ser examinados cuidadosamente à luz da Palavra de Deus, pois é quase certo que são errôneos”.
Os “profetas” da teologia da prosperidade trazem uma nova forma da venda das indulgências. As indulgências eram declarações de perdão de pecados, a favor de vivos ou mortos, que tiraria a pessoa do purgatório, e que eram vendidas por grandes somas de dinheiro pela Igreja Católica Romana, para construir a Basílica de São Pedro, em Roma. No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou suas famosas 95 teses contra a venda de indulgências, na porta do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, que deu início a Reforma Protestante. Prática semelhante ocorre em nossos dias, onde não somente a bênção da salvação, mas também da cura, da prosperidade, da libertação, do emprego, da vitória, dentre outras, são negociadas (ou melhor, vendidas) em troca de uma significante “oferta”, que pode também receber outros nomes, mas que inevitavelmente, está em claro desacordo com as Escrituras Sagradas.
Ao ver como o pragmatismo tem afetado a Igreja Brasileira, me vem a mente o texto de Oseias 4.6, que diz: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...”. O pragmatismo encontrou um campo fértil entre os evangélicos no Brasil, pois está faltando o conhecimento da Palavra de Deus. Infelizmente, muitos cristãos nunca leram a Bíblia toda, sequer uma única vez. E, de acordo com Oswaldo Paião (Diretor Editorial da SBIA e Abba Press) “nessa triste estatística nem pastores ou padres escapam: cerca de 52% dos líderes cristãos ainda não leram a Bíblia completa, ao menos uma vez, de Gênesis a Apocalipse”.
No filme O Livro Perigoso, o irmão André, fundador da Missão Portas Abertas, conta a história de um garoto sueco, de cerca de 5 anos, que encontrou a Bíblia empoeirada na estante da sua casa e a levou para a sua mãe dizendo:
- Mamãe, é o Livro de Deus!
Sua mãe respondeu: - Sim, meu filho, é o Livro de Deus.
Então o garoto disse para sua mãe: - Por que a gente não devolve o Livro para Deus? Nós não estamos usando.
Muitos cristãos e, até pastores, estão na mesma situação daquela família. Não estão usando o Livro de Deus. A Bíblia foi e é a nossa regra de fé e conduta. Irmão André, numa entrevista no mesmo Filme, nos diz a respeito do preço que foi pago para que hoje possamos ter a Bíblia em nossas mãos: “Milhares de pessoas foram mortas por ela [Bíblia]; profetas morreram por ela; os apóstolos foram mortos por ela; mártires da história da Igreja foram mortos por ela; hoje pessoas morrem por ela e deixamos a Bíblia na estante”.
Convido a você a tirar o Livro de Deus (a Bíblia) da estante e a usá-lo. O apóstolo Paulo nos recomenda: “Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas”. (2Ti 4.1-4).

Sola Scriptura!

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