quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Formatura do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA em Águas Claras


Quero parabenizar a todos os alunos da Segunda Turma do Ano de 2009 do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA – Extensão em Águas Claras pela dedicação e perseverança nos estudos, que agora é recompensada no dia da formatura.
Foram quase sete meses de estudos que proporcionou a todos alunos uma visão mais profunda do que é missões, e onde pudemos perceber claramente que a fé cristã é intrinsecamente missionária. O cristianismo é missionário por sua própria natureza, ou nega sua própria razão de ser.
Durante as décadas de 1980 e 1990 se propagou na mídia evangélica que o Brasil seria o grande celeiro de missões. Nós, os brasileiros, seríamos os “salvadores do mundo”. O mundo somente poderia ser evangelizado pelos missionários brasileiros. Como se diz, numa linguagem secular, “eramos a bola da vez”. Gradativamente este discurso foi perdendo cada vez mais sua força e, embora ainda seja sustentado por alguns, já não soa tão convincente como anteriormente. O que aconteceu com a euforia deste discurso.
Paulo Feniman nos apresenta uma forte razão. “Ao olhar para igreja atual parece que há algo de errado, que de alguma forma ela conseguiu mudar seu propósito e sua natureza, conseguiu desviar-se do que a princípio foi estabelecido pelo próprio Jesus. A igreja Brasileira nos últimos anos foi invadida por aquilo que denominamos de teologias da anti-missão. Uma dessas teologias é a teologia da prosperidade que levou a igreja evangélica brasileira a uma mudança de paradigma. As igrejas, bem como seus ministérios, suas pregações e suas ações deixaram de servir para serem servidas. Neste processo nossa igreja busca somente satisfazer seus próprios interesses”.
O livro de Atos, apesar de ser o autêntico registro missionário dos apóstolos e da igreja primitiva, na verdade não relata a obediência da igreja em fazer missões, mas sim, sua relutância em sair da zona de conforto e levar o evangelho até os confins da terra. Foi necessário a perseguição para forçar os crentes sairem de Jerusalém e começarem a atingir com o evangelho as outras regiões que Jesus tinha lhes ordenado (At 1.8; 8.1). Houve pouca alegria quando Cornélio se converteu, só horror pelo fato de que Pedro havia entrado na casa de homens incircuncisos e comido com eles (At 11.2). Infelizmente, sempre houve e, nos dias atuais, têm havido com maior intensidade uma resistência da própria igreja em obedecer o IDE de Cristo.
David Bosch, em seu livro Missão Transformadora, afirma: “A natureza missionária da igreja não depende simplesmente da situação na qual ela se encontra em dado momento, mas está baseada no próprio evangelho. A justificação e fundamentação das missões no exterior, bem como no próprio país, ‘reside na universalidade da salvação e na indivisibilidade do reinado de Cristo’ (Linz 1964:209). A diferença entre missões no exterior e no próprio país não é uma diferença de príncipio, mas de alcance”.
É com tristeza que vemos a igreja brasileira sendo levada por ventos de modismos, sendo que poucas igrejas locais estão realmente envolvidas e comprometidas com a obra missionária. Infelizmente, os evangelistas que estão na mídia, principalmente na TV, são um retrato claro das teologias da anti-missão que afetam a igreja brasileira. Alguns investem grandes somas de dinheiro em cruzadas e programas, onde o objetivo principal não é apresentar a salvação em Cristo, mas a teologia da prosperidade para os crentes. Onde, para estes, a pobreza financeira é tratada como uma maldição. Não precisa nem ser muito inteligente para ver que isto não está de acordo com a Bíblia. Agora existe uma pobreza que sim, tem trago grande maldição a muitas pessoas. É a pobreza de conhecimento e falta de vontade em obedecer a vontade do Senhor, que deu a Sua igreja uma ordem, não uma sugestão ou opinião: “Portanto, vão e façam discípulos de de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Milhões estão vivendo debaixo de maldição, sem conhecer a Cristo, como consequencia da omissão da igreja.
Precisamos, novamente, lançar mão das bases da Reforma Protestante realizada por Martinho Lutero: "Sola Scriptura [somente as Escrituras], Sola Gratia [somente pela Graça], Sola Fide [somente pela fé], Solus Christus [somente Cristo], Soli Deo Gloria [glória somente a Deus].” Durante a Idade Média, também chamada Idade das Trevas, onde o povo não tinha acesso a Palavra de Deus, Sola Scriptura (Somente as Escrituras) foi o “grito de guerra” da reforma protestante, ou seja, o retorno à Palavra de Deus. Martin Hengel afirmou, de maneira muito apropriada que, “a história e a teologia do cristianismo primitivo são, antes de mais nada, ‘história da missão’ e ‘teologia da missão’” (Hengel 1983b:53).
Que Deus nos ajude a mantermo-nos fieis a missão de Deus (Missio Dei), sendo instrumentos para levar a salvação em Cristo à todas as nações, tribos, povos e línguas.
PARABÉNS A TODOS OS FORMANDOS!

* Pr. Paulo Henrique foi escolhido para falar em nome dos Professores do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA na formatura da segunda turma da Extensão em Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto - RJ, no dia 01 de Dezembro de 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário