sábado, 26 de dezembro de 2009

Pedro e seu machado

Pedro, um lenhador, após um grande trabalho em uma área de desmatamento, se viu desempregado. Após tanto tempo cortando árvores, entrou no corte! A madeireira precisou reduzir custos...
Saiu, então, à procura de nova oportunidade de trabalho. Seu tipo físico, porém, muito franzino, fugia completamente do biótipo de um lenhador. Além disso, o machado que carregava era desproporcional ao seu tamanho. Aqueles que conheciam Pedro, entretanto, julgavam-no um ótimo profissional.
Em suas andanças, Pedro chegou a uma área reflorestada que estava começando a ser desmatada. Apresentou-se ao capataz da madeireira como um lenhador experiente. E ele o era! O capataz, após um breve olhar ao tipo miúdo do Pedro e, com aquele semblante de selecionador implacável, foi dizendo que precisava de pessoas capazes de derrubar grandes árvores, e não de "catadores de gravetos". Pedro, necessitando do emprego, insistiu. Pediu que lhe fosse dada uma oportunidade para demonstrar sua capacidade. Afinal, ele era um profissional experiente! Com relutância, o capataz resolveu levar Pedro à área de desmatamento. E só fez isso pensando que Pedro fosse servir de chacota aos demais lenhadores. Afinal, ele era um fracote...
Sob os olhares dos demais lenhadores, Pedro se postou frente a uma árvore de grande porte e, com o grito de "madeira", deu uma machadada tão violenta que a árvore caiu logo no primeiro golpe. Todos ficaram atônitos! Como era possível tão grande habilidade e que força descomunal era essa, que conseguira derrubar aquela grande árvore numa só machadada? Logicamente, Pedro foi admitido na madeireira. Seu trabalho era elogiado por todos, principalmente pelo patrão, que via em Pedro uma fonte adicional de receita.
O tempo foi passando e, gradativamente, Pedro foi reduzindo a quantidade de árvores que derrubava. O fato era incompreensível, uma vez que Pedro estava se esforçando cada vez mais. Um dia, Pedro se nivelou aos demais. Dias depois, encontrava-se entre os lenhadores que menos produziam...
O capataz que, apesar da sua rudeza, era um homem vivido, chamou Pedro e o questionou sobre o que estava ocorrendo. "Não sei", respondeu Pedro, "nunca me esforcei tanto e, apesar disso, minha produção está decaindo".
O capataz pediu, então, que Pedro lhe mostrasse o seu machado. Quando o recebeu, notando que ele estava cheio de "dentes" e sem o "fio de corte", perguntou ao Pedro: "Por que você não afiou o machado?". Pedro, surpreso, respondeu que estava trabalhando muito e por isso não tinha tido tempo de afiar a sua ferramenta de trabalho. O capataz ordenou que Pedro ficasse no acampamento e amolasse seu machado. Só depois disso ele poderia voltar ao trabalho. Pedro fez o que lhe foi mandado. Quando retornou à floresta, percebeu que tinha voltado à forma antiga: conseguia derrubar as árvores com uma só machadada.
A lição que Pedro recebeu cai como uma luva sobre muitos de nós - preocupados em executar nosso trabalho ou, pior ainda, julgando que já sabemos tudo o que é preciso, deixamos de "amolar o nosso machado", ou seja, deixamos de atualizar nossos conhecimentos. Sem saber por que, vamos perdendo posições em nossas empresas ou nos deixando superar pelos outros. Em outras palavras, perdemos a nossa potencialidade.
Muitos avaliam a experiência que possuem pelos anos em que se dedicam àquilo que fazem. Se isso fosse verdade, aquele funcionário que aprendeu, em 15 minutos, a carimbar os documentos que lhe chegam às mãos, depois de 10 anos na mesma atividade poderia dizer que tem 10 anos de experiência. Na realidade, tem 15 minutos de experiência repetida durante muitos anos.
A experiência não é a repetição monótona do mesmo trabalho, e sim a busca incessante de novas soluções, tendo coragem de correr riscos que possam surgir. É "perder tempo" para afiar o nosso machado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta Informativa - Dezembro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 09 de Dezembro de 2009.

Aquele que os chama é fiel, e fará isso.” (1Ts 5.24 NVI)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz vos sejam multiplicadas.

Estamos chegando ao fim de mais um ano e, apesar dos muitos desafios, podemos dizer que até aqui nos ajudou o Senhor.
O ano de 2009 foi marcado por muitos desafios e lutas, mas também muitas vitórias. Creio que os irmãos ainda se lembram do que passei na viagem de pastoreio na Índia. Mas, nada disso pode se comparar com o que Deus fez, está fazendo e ainda fará por, com e através das nossas vidas. Como sempre costumo dizer: “o melhor lugar para estarmos é no centro da vontade de Deus”. E, é onde queremos sempre estar! Como o apóstolo Paulo, não temos sido desobedientes a visão celestial, que em nosso caso é estar ajudando a alcançar a Itália para Cristo e, sabemos que no kairós (tempo) de Deus estaremos chegando em terras italianas.
O trabalho na Índia continua avançando em nome de Jesus. Agora, já estamos alcançando, através do sete obreiros indianos que estão trabalhando debaixo da nossa organização (Sporshow) na Índia, 17 localidades (14 vilas do Estado de West Bengal e 3 localidades de Calcutá) com quase 900 pessoas servindo ao Senhor. Glórias a Deus!
Eu ainda me lembro do início do trabalho, onde, o Pr. Binaya e eu, iníciamos o trabalho na vila de Baruipur com apenas cinco pessoas. Sinceramente não imaginava que um dia pudessemos estar alcançando quase mil pessoas através do ministério que iníciamos na Índia, onde servimos por quase cinco anos na obra missionária. A Deus seja toda glória e nossa sincera gratidão a todos amados irmãos que tem nos apoiado, bem como aos obreiros indianos que estão dando continuidade ao trabalho na Índia, desde o início até o momento. Vocês também são participantes de tudo isso!
Mais uma vez, queremos expressar nossa profunda e sincera gratidão a todos amados irmãos que têm estado conosco na obra missionária. Nunca nos esquecemos de todos vocês, principalmente em nossas orações. Muito obrigado a todos! Esperamos poder continuarmos juntos na obra missionária durante o todo o ano de 2010, se Deus quizer, já na Itália.
Queremos aproveitar a oportunidade para desejar a todos nossos companheiros na obra missionária um Feliz Natal e um Abençoado Ano Novo, cheio das bênçãos do nosso Bom Deus.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Formatura do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA em Águas Claras


Quero parabenizar a todos os alunos da Segunda Turma do Ano de 2009 do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA – Extensão em Águas Claras pela dedicação e perseverança nos estudos, que agora é recompensada no dia da formatura.
Foram quase sete meses de estudos que proporcionou a todos alunos uma visão mais profunda do que é missões, e onde pudemos perceber claramente que a fé cristã é intrinsecamente missionária. O cristianismo é missionário por sua própria natureza, ou nega sua própria razão de ser.
Durante as décadas de 1980 e 1990 se propagou na mídia evangélica que o Brasil seria o grande celeiro de missões. Nós, os brasileiros, seríamos os “salvadores do mundo”. O mundo somente poderia ser evangelizado pelos missionários brasileiros. Como se diz, numa linguagem secular, “eramos a bola da vez”. Gradativamente este discurso foi perdendo cada vez mais sua força e, embora ainda seja sustentado por alguns, já não soa tão convincente como anteriormente. O que aconteceu com a euforia deste discurso.
Paulo Feniman nos apresenta uma forte razão. “Ao olhar para igreja atual parece que há algo de errado, que de alguma forma ela conseguiu mudar seu propósito e sua natureza, conseguiu desviar-se do que a princípio foi estabelecido pelo próprio Jesus. A igreja Brasileira nos últimos anos foi invadida por aquilo que denominamos de teologias da anti-missão. Uma dessas teologias é a teologia da prosperidade que levou a igreja evangélica brasileira a uma mudança de paradigma. As igrejas, bem como seus ministérios, suas pregações e suas ações deixaram de servir para serem servidas. Neste processo nossa igreja busca somente satisfazer seus próprios interesses”.
O livro de Atos, apesar de ser o autêntico registro missionário dos apóstolos e da igreja primitiva, na verdade não relata a obediência da igreja em fazer missões, mas sim, sua relutância em sair da zona de conforto e levar o evangelho até os confins da terra. Foi necessário a perseguição para forçar os crentes sairem de Jerusalém e começarem a atingir com o evangelho as outras regiões que Jesus tinha lhes ordenado (At 1.8; 8.1). Houve pouca alegria quando Cornélio se converteu, só horror pelo fato de que Pedro havia entrado na casa de homens incircuncisos e comido com eles (At 11.2). Infelizmente, sempre houve e, nos dias atuais, têm havido com maior intensidade uma resistência da própria igreja em obedecer o IDE de Cristo.
David Bosch, em seu livro Missão Transformadora, afirma: “A natureza missionária da igreja não depende simplesmente da situação na qual ela se encontra em dado momento, mas está baseada no próprio evangelho. A justificação e fundamentação das missões no exterior, bem como no próprio país, ‘reside na universalidade da salvação e na indivisibilidade do reinado de Cristo’ (Linz 1964:209). A diferença entre missões no exterior e no próprio país não é uma diferença de príncipio, mas de alcance”.
É com tristeza que vemos a igreja brasileira sendo levada por ventos de modismos, sendo que poucas igrejas locais estão realmente envolvidas e comprometidas com a obra missionária. Infelizmente, os evangelistas que estão na mídia, principalmente na TV, são um retrato claro das teologias da anti-missão que afetam a igreja brasileira. Alguns investem grandes somas de dinheiro em cruzadas e programas, onde o objetivo principal não é apresentar a salvação em Cristo, mas a teologia da prosperidade para os crentes. Onde, para estes, a pobreza financeira é tratada como uma maldição. Não precisa nem ser muito inteligente para ver que isto não está de acordo com a Bíblia. Agora existe uma pobreza que sim, tem trago grande maldição a muitas pessoas. É a pobreza de conhecimento e falta de vontade em obedecer a vontade do Senhor, que deu a Sua igreja uma ordem, não uma sugestão ou opinião: “Portanto, vão e façam discípulos de de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Milhões estão vivendo debaixo de maldição, sem conhecer a Cristo, como consequencia da omissão da igreja.
Precisamos, novamente, lançar mão das bases da Reforma Protestante realizada por Martinho Lutero: "Sola Scriptura [somente as Escrituras], Sola Gratia [somente pela Graça], Sola Fide [somente pela fé], Solus Christus [somente Cristo], Soli Deo Gloria [glória somente a Deus].” Durante a Idade Média, também chamada Idade das Trevas, onde o povo não tinha acesso a Palavra de Deus, Sola Scriptura (Somente as Escrituras) foi o “grito de guerra” da reforma protestante, ou seja, o retorno à Palavra de Deus. Martin Hengel afirmou, de maneira muito apropriada que, “a história e a teologia do cristianismo primitivo são, antes de mais nada, ‘história da missão’ e ‘teologia da missão’” (Hengel 1983b:53).
Que Deus nos ajude a mantermo-nos fieis a missão de Deus (Missio Dei), sendo instrumentos para levar a salvação em Cristo à todas as nações, tribos, povos e línguas.
PARABÉNS A TODOS OS FORMANDOS!

* Pr. Paulo Henrique foi escolhido para falar em nome dos Professores do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA na formatura da segunda turma da Extensão em Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto - RJ, no dia 01 de Dezembro de 2009.