sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O que você está fazendo?

domingo, 18 de outubro de 2009

Carta Informativa - Outubro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 18 de Outubro de 2009.

Mas quem se gloriar, glorie-se nisto; em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra; pois é dessas coisas que me agrado, declara o Senhor” (Jr 9.24)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqui estamos todos bem, graças ao nosso Bom Deus. Apesar dos desafios, podemos dizer que “até aqui nos ajudou o Senhor”.
Junto com esta carta, estamos enviando, para todos nossos mantenedores e intercessores, uma foto da nossa família, para que possam sempre estar lembrando de todos nós. Somos muito carentes de vossas orações e do vosso apoio.
Temos acompanhado o trabalho na Índia que segue avançando em nome de Jesus. Se Deus quiser, no próximo mês estarei enviando também uma foto (montagem) com todos os obreiros indianos debaixo de nossa liderança, que agora somam sete.
Quero agradecer a todos que oraram pelo Pr. Binaya. SEMIPA enviou o valor necessário para a cirurgia, que já foi realizada e agora ele já se encontra em casa, se recuperando da mesma. Por favor, continuem orando pela sua completa recuperação.
Neste mês comecei um curso de Design e Web na cidade de Teresópolis. Eu já venho utilizando muito dos meus poucos conhecimentos nesta área na obra do Senhor, em especial na obra missionária, agora estou tendo a oportunidade de aperfeiçoar estes conhecimentos. Outra grande vitória foi que eu consegui o registro na FENAI (Federação Nacional de Imprensa) por estar escrevendo para o Jornal Paixão pelas Almas há mais de 15 anos. Estarei recebendo minha carteira de jornalista, que tenho certeza, vai ser útil na obra do Senhor. Estas vitórias têm sido alcançadas com esforço, dedicação e, vocês são participantes de cada vitória alcançada. A Deus seja toda glória!
Lembramos que através de nosso blog (www.seara-italia.blogspot.com) vocês poderão encontrar nossas cartas informativas, várias matérias, vídeos, fotos e muito mais. Também no meu perfil do orkut vocês poderão encontrar cerca de 700 fotos.
Somos profundamente gratos a todos amados irmãos que têm, com fidelidade, orado e contribuído para o nosso ministério. Até aqui, temos vencido muitos desafios juntos e com certeza estaremos vencendo muitos outros, em nome de Jesus. Muito em breve, estaremos chegando na Itália, com vossas orações e apoio.
Obrigado a todos por estarem conosco em todos os momentos, segurando as cordas da oração e da contribuição. “Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1 Co 15.58 NVI).

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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Escreva para nós através dos e-mails:
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A teologia da Anti-Missão

Por Paulo Feniman

Ao olhar para igreja atual parece que há algo de errado, que de alguma forma ela conseguiu mudar seu propósito e sua natureza, conseguiu desviar-se do que a princípio foi estabelecido pelo próprio Jesus.
A igreja Brasileira nos últimos anos foi invadida por aquilo que denominamos de teologias da anti-missão. Uma dessas teologias é a teologia da prosperidade que levou a igreja evangélica brasileira a uma mudança de paradigma. As igrejas, bem como seus ministérios, suas pregações e suas ações deixaram de servir para serem servidas. Neste processo nossa igreja busca somente satisfazer seus próprios interesses.
Nos últimos anos a igreja deixou de ser agente missionário para se tornar uma instituição mercadológica onde o evangelho é vendido sem escrúpulos, e onde o melhor vendedor é aquele que possui uma mega-igreja ou uma igreja de destaque na sociedade, não por aquilo que faz mais pela aparência que tem. Tenho uma séria preocupação com o modo com que à igreja brasileira absorve modelos pré-prontos, tornando-os mais importantes os princípios teológicos da missão. Quando olhamos atentamente para a igreja brasileira percebemos que ela sofre de uma síndrome que a distancia a cada instante da sua natureza missionária. Nossas igrejas não conseguem desenvolver uma ação prática que possa transformar nossa comunidade.
A respeito da realidade da igreja brasileira, Ariovaldo Ramos a descreve desta forma:
A face mais visível da igreja brasileira e, aparentemente, a que mais cresce, em vez de denunciar a injustiça social e propor e viver uma economia solidária, passou a pregar uma teologia que sustentava a desigualdade, ao afirmar que a riqueza deveria ser o alvo do crente, e que o caminho é a fé atestada pelo nível de contribuição e pela capacidade de arbitrar, por, decreto, sobre o que Deus deve fazer. (...)
Em vez de viver , sinalizar e anunciar o reino, passou a caçar os principados e potestades nas regiões celestiais, ora localizando e derrubando os seus potes-ídolos, ora ungindo de alguma forma criativa a cidade, inaugurando o que James Houston chamou de evangelização cósmica. (...)
Outro houve que assumiu a igreja como uma empresa, sonhando também com impérios, e passou a importar modelos de gerenciamento que a organizasse, desenvolvesse excelência ministerial e produzisse crescimento, usando muitas vezes o princípio do apartheid as ovelhas foram transformadas em mão-de-obra e os pastores, em gerentes de programa. (Ramos, 2005, p. 201-203)
Diante deste quadro tão preocupante que se encontra a igreja brasileira, para que possamos retomar os princípios neo-testamentários a cerca da missão é necessário redescobrir na igreja de que forma a missão cristã pode exercer mudanças em nossa geração, buscar a luz de uma pesquisa teológica e bíblica quais são os princípios e valores inerentes à função da igreja cristã em nossa sociedade.
David Bosh ao falar sobre esta natureza da igreja diz:
Na eclesiologia emergente, a igreja é vista como essencialmente missionária. O modelo bíblico que está por trás dessa convicção e que tem sua expressão clássica em AG2 ("A igreja peregrina é missionária por sua natureza"), é aquele que encontramos 1 Pedro 2.9. Aqui a igreja não é a remetente, mas a remetida. Sua missão (o fato de "ser enviada") não é secundária em relação à sua existência; a igreja existe ao ser enviada e edificar-se visando à sua missão (Barth 1956:725 - estou me baseando aqui no original alemão, e não na tradução inglesa). A eclesiologia, portanto, não constitui uma atividade periférica de uma igreja firmemente estabelecida, [está] queimando fulgurantemente (...) A Atividade missionária não é tanto uma ação da igreja, mas é simplesmente a igreja em ação (Bosh, 2002, p. 447)
Através de um estudo aprimorado sobre a identidade da igreja e sua ação missionária quero propor um novo pensamento a cerca de nossa caminhada e uma ação mais efetiva que possa trazer mudanças palpáveis em nossa sociedade, principalmente entre aqueles que necessitam de uma transformação integral, mostrar apontamentos de como podemos reverter essa realidade.
É preciso retomar nossas idéias, parar com tudo e entrar num processo de reavaliação de nossos conceitos e paradigmas. Deixar de lado nossa ansiedade em "evangelizar" o mundo e começar a pensar em missão como um processo de transformação integral na vida daqueles que são atingidos por ela.
Nosso primeiro passo deve consistir em buscar de forma bíblica e teológica os conceitos da missão deixada a nós por Cristo, identificar quais são as verdades bíblicas a respeito deste tema e quais são os modismos que devemos abandonar, pois nossos modismos nos levam a servir muito mais a nós mesmos do que aos que ainda não conhecem o evangelho.
Sem uma visão clara a cerca da missão, corremos o risco de nos tornarmos uma simples instituição mercadológica preocupada só com o numero de almas ou com as metas numéricas que devemos alcançar.
A igreja deve deixar seus programas gerenciais e voltar-se a vida das pessoas, trazendo um evangelho integral que atenda as necessidades. Precisamos tornar nossas igrejas úteis aos necessitados, nossos cultos acessíveis a todos sem exceção, assim poderemos vivenciar e demonstrar o amor de Deus pelos povos. Um dos grandes passos para a igreja atual é romper com o evangelho apenas falado e começar a viver um evangelho prático que caminha em direção às pessoas.
Usando Cristo como exemplo, poderemos encontrar os parâmetros necessários para o cumprimento desta missão. Olhar para Cristo nos levará a abandonar nosso orgulho e hipocrisia que gera um muro que nos separa da missão autêntica.
Quando deixarmos de lado nosso próprio eu, daremos espaço para que o Espírito Santo aja através de nós.
A missão começa quando nós experimentamos uma intimidade autêntica com Deus que nos leva a compreender seu amor, sua graça e sua bondade. Mesmo que isso não seja uma atitude fácil, e não é, precisamos caminhar para um processo de busca neo-testamentária, seguindo o exemplo dos cristãos do primeiro século.
De forma prática a busca para responder ao chamado da missão, deve ser um só:
"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que embora sendo Deus, não considerou o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas se esvaziou a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!" (NVI, p. 941)

BIBLIOGRAFIA
BIBLIA SAGRADA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2002.
RAMOS, Ariovaldo. "A Ética e a Igreja". IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE EVANGELIZAÇÃO 2. Missão Integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Viçosa: Ultimato; Belo Horizonte: Visão Mundial, 2004, p.197-205.
BOSH, D. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

FONTE: Missão Para o Interior da África - http://www.miaf.org.br/