segunda-feira, 27 de julho de 2009

O soluço de um bilhão de almas

Extraído do Livro “Heróis da Fé” de Orlando Boyer (CPAD)

Diz-se que Martinho Lutero tinha um amigo íntimo, cujo nome era Miconio. Ao ver Lutero sentado dias a fio trabalhando no serviço do Mestre, Miconio ficou penalizado e disse-lhe: "Posso ajudar mais onde estou; permanecerei aqui orando enquanto tu perseveras incansavelmente na luta." Miconio orou dias seguidos por Martinho. Mas enquanto perseverava em oração, começou a sentir o peso da própria culpa. Certa noite sonhou com o Salvador, que lhe mostrou as mãos e os pés. Mostrou-lhe também a fonte na qual o purificara de todo o pecado. "Segue-me!" disse-lhe o Senhor, levando-o para um alto monte de onde apontou para o nascente. Miconio viu uma planície que se estendia até o longínquo horizonte. Essa vasta planície estava coberta de ovelhas, de muitos milhares de ovelhas brancas. Somente havia um homem, Martinho Lutero, que se esforçava para apascentar a todas. Então o Salvador disse a Miconio que olhasse para o poente; olhou e viu vastos campos de trigo brancos para a ceifa. O único ceifador, que lidava para segá-los, estava quase exausto, contudo persistia na sua tarefa. Nessa altura, Miconio reconheceu o solitário ceifeiro, seu bom amigo, Martinho Lutero! Ao despertar do sono, tomou esta resolução: "Não posso ficar aqui orando enquanto Martinho se afadiga na obra do Senhor. As ovelhas devem ser pastoreadas; os campos têm de ser ceifados. Eis-me aqui, Senhor; envia-me a mim!" Foi assim que Miconio saiu para compartilhar do labor de seu fiel amigo.
Jesus nos chama para trabalhar e orar. É de joelhos que a Igreja de Cristo avança. Foi Lionel Fletcher quem escreveu:
"Todos os grandes ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Conheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxima passada, e sei que, igualmente, foram homens de intensa oração.
"Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu era ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor presbiteriano. Bati à porta e pedi para falar com o evangelista. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por estranha luz, respondeu:
"Nunca se hospedou um homem como ele em nossa casa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto durante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encontro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições.
"Fui à igreja... Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agonizante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salvador. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.
"Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fitou-me por um momento e então rogou: 'Ore comigo, irmão! Não posso viver se esta cidade não se chegar a Deus.' Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvira alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e estremecendo.
"Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizerem: 'A luz do seu rosto não é da terra!' E não era mesmo. Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar. Porém, nessa noite, enquanto pregava, o auditório inteiro foi tomado pelo poder de Deus. Foi a primeira grande colheita de almas que presenciei."
Há muitas testemunhas oculares do fato de Deus continuar a responder às orações como no tempo de Lutero, Edwards e Judson. Transcrevemos aqui o seguinte comentário publicado em certo jornal:
"A irmã Dabney é uma crente humilde que se dedica a orar... Seu marido, pastor de uma grande igreja, foi chamado para abrir a obra em um subúrbio habitado por pobres. No primeiro culto não havia nenhum ouvinte: somente ele e ela assistiram. Ficaram desenganados. Era um campo dificílimo: o povo não era somente pobre, mas depravado também. A irmã Dabney viu que não havia esperança a não ser clamar ao Senhor, e resolveu dedicar-se persistentemente à oração. Fez um voto a Deus que, se Ele atraísse os pecadores aos cultos e os salvasse, ela se entregaria à oração e jejuaria três dias e três noites, no templo, todas as semanas, durante um período de três anos.
"Logo, que essa esposa de um pastor angustiado começou a orar, sozinha, no salão de cultos, Deus começou a operar, enviando pecadores, a ponto de o salão ficar superlotado de ouvintes. Seu marido pediu que orasse ao Senhor e pedisse um salão maior. Deus moveu o coração de um comerciante para desocupar o prédio fronteiro ao salão, cedendo-o para os cultos. Continuou a orar e a jejuar três vezes por semana, e aconteceu que o salão maior também não comportava os auditórios. Seu marido rogou-lhe novamente que orasse e pedisse um edifício onde todos quantos desejassem assistir aos cultos pudessem entrar. Ela orou e Deus lhes deu um grande templo situado na rua principal desse subúrbio. No novo templo, também a assistência aumentou a ponto de muitos dos ouvintes serem obrigados a assistir às pregações de pé, na rua. Muitos foram libertos do pecado e batizados."
Quando os crentes sentem dores em oração, é que renascem almas. "Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão."
"O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil milhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripilante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não poderes dormir."
Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, foi que Carlos Inwood escreveu o que lemos acima, e é por essa razão que se abrasa a alma dos heróis da igreja de Cristo através dos séculos.
Na campanha de Piemonte, Napoleão dirigiu-se aos seus soldados com as seguintes palavras: "Ganhastes sangrentas batalhas, sem canhões, atravessastes caudalosos rios sem pontes, marchastes incríveis distâncias descalços, acampastes inúmeras vezes sem coisa alguma para comer, tudo graças à vossa audaciosa perseverança! Mas, guerreiros, é como se não tivéssemos feito coisa alguma, pois resta ainda muito para alcançarmos!"
Guerreiros da causa santa, nós podemos dizer o mesmo: é como se não tivéssemos feito coisa alguma. A audaciosa perseverança é-nos ainda indispensável; há mais almas para salvar atualmente do que no tempo de Müller, de Livingstone, de Paton, de Spurgeon e de Moody.
"Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1 Coríntios 9.16).
Não podemos tapar os ouvidos espirituais para não ouvir o choro e os suspiros de mais de um bilhão de almas na terra que não conhecem o caminho para o lar celestial.

PARA PENSAR

"O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, e extrema miséria e o indescritível desespero desses milhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripilante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não poderes dormir" (Carlos Inwood)

sábado, 25 de julho de 2009

O coração de um missionário

Por Pr. Paulo Henrique

Grande parte dos missionários (como nós também) procura passar para os irmãos e igrejas somente as bençãos, frutos da Fidelidade e Bondade de Deus, bem como das orações dos irmãos. Mas, em poucas vezes, os missionários sentem-se a vontade para abrirem seus corações e compartilharem também outros sentimentos, como tristezas e decepções.
Existem vários motivos para que isso aconteça, mas quero analisar apenas alguns aspectos que partem de idéias erradas de irmãos e igrejas com relação a pessoa do missionário.
Primeiro, alguns pensam que o missionário é um super-homem (ou super-mulher) e, que caso ainda não seja, deve ser, e como tal não tem necessidades emocionais, espirituais ou físicas. Expor os sentimentos do coração, na visão destes, é sinal de fraqueza ou falta de fé.
Segundo, alguns pensam que o missionário é um pobre coitadinho, e o tratam como o assim fosse. Abrir o coração, na visão destes, é somente a confirmação de que um missionário é um pobre coitadinho da vida.
Mas o que a Bíblia fala a respeito disso?! A Bíblia mostra de maneira muito clara que o missionário não é um super-homem (ou super-mulher) e nem um pobre coitadinho, mas sim um servo do Deus Vivo e Verdadeiro chamado e vocacionado por Deus para uma missão que Ele mesmo designou. É um embaixador de Deus! Mas, ainda assim um ser humano, com sentimentos e emoções como também foram muitos grandes servos de Deus na Bíblia.
A Bíblia é um livro maravilhoso, e mostra não somente os grandes feitos de homens e mulheres usados por Deus mas também seus sentimentos e até falhas. Muitas vezes pensamos que eles foram pessoas especiais, super-homens e super-mulheres, mas na verdade não eram. Eram pessoas tão comuns como você e eu, e que fizeram grandes coisas pelo simples fato de obedecerem a Deus. Era Deus a sua fonte de fortaleza e sucesso! Mas, ainda assim tinham também suas fraquezas e falhas, frutos de sua natureza humana. A completa perfeição só alcançaremos nos céus (Ef 4:13).
Dentre estes homens e mulheres que foram grandemente usados por Deus estão: Abraão, Elias, Paulo e muitos outros. Mas longe de serem super-heróis, eram homens a nossa semelhança, como está escrito a respeito de Elias e se aplica a todos outros. "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto." (Tg 5:17,18).
Elias é um exemplo que mesmo depois de grandes vitórias, podem acontecer momentos de decepção. Depois da grande vitória sobre os profetas de Baal, a rainha Jesabel intenta matar Elias e ele foge para o deserto e debaixo de uma árvore mostra-se decepcionado e pede a Deus para morrer.
Mesmo Abraão, conhecido pela sua fé, demonstrou certa incredulidade quando descendo ao Egito disse que Sara era sua irmã, temendo que alguém o matasse por causa da beleza de sua esposa (Gn 12:11-13).
Paulo, o grande apóstolo e que escreveu quase que a totalidade dos livros doutrinários do NT, teve os mesmos sentimentos que os atuais missionários e em diversas ocasiões abriu seu coração mostrando seus sentimentos, tão humanos quantos os nossos. São do apóstolo Paulo as seguintes palavras: "Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração." (Rm 9:2); "Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho." (2 Co 2:4).
Com estes exemplos não quero menosprezar a nenhum desses grandes homens de Deus, mas destacar que eles tinham os mesmos sentimentos que qualquer um de nós. Eles não só riam, mas também choraram; não só tiveram fé para realizarem grandes obras para Deus, como também em alguns momentos demonstraram certa incredulidade diante de algumas dificuldades; não só consolavam, mas também em alguns momentos precisavam do consolo. Eram homens como nós, com fraquezas e limitações, mas que ousaram confiar em Deus e obedecê-Lo, e é nisto que está o segredo de suas vidas.
O próprio Jesus no Getsmane, poucas horas antes da crucificação abre seu coração para seus discípulos nos momentos que antecediam o calvário: "Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo." (Mt 26:38).
Como estes grandes servos de Deus do passado, os missionários atuais também tem sentimentos e emoções. O missionário sente alegria quando as almas vem para Cristo, mas também sente tristeza quando apesar de todo esforço e sacrifício ele não vê as almas se convertendo; quando mesmo perseverando na semeadura ele não vê a semente caindo em terra boa; quando ansiando por cartas com palavras de apoio, incentivo e encorajamento dos irmãos e igrejas do seu país, estas não chegam e as poucas cartas quando chegam não trazem encorajamento e sim apenas pedidos de relatórios; quando apesar de terem deixado tudo por Cristo e para servir na obra missionária, algumas vezes, não são tratados com a dignidade que merecem e infelizmente são vistos por alguns como, alguém que tem de ficar a mendigar e a comer das milhas que caem dos grandes banquetes de certas igrejas que relegaram à obra missionária apenas o resto; além de muitas outras coisas que poderiam ser acrescidas aqui.
Um outro problema na hora do missionário abrir seu coração, e porque talvez poucas pessoas realmente entenderão o que ele está sentido. Não é fácil para uma outra pessoa que não tenha experimentado as mesmas condições (ou próximas) entender muitas vezes os sentimentos e necessidades de um missionário. Seria algo parecido como tentar explicar uma dor de dente para alguém que nunca na vida sentiu dor de dentes. Dentre os muitos diferentes aspectos ou situações estão:
* Solidão, principalmente em culturas totalmente diferentes (incluindo a língua) o que dá uma sensação para alguns de se estar perdido, como um peixe fora d'água;
* Saudade - num nível mais elevado da palavra e que pode envolver pessoas, lugares, língua e até comidas, dentre outras;
* Diferenças culturais - que vão além da maneira de vestir, mas também inclui a maneira de pensar e ver as coisas (cosmovisão) de uma maneira totalmente diferente ao que estamos acostumados.
* E muitos outras situações, que podem incluir: problemas financeiros, de saúde, burocráticos (Governo do país onde se está), etc.
Estes são apenas alguns dos fatores que com certeza contribui para que muitos missionários não se sintam com liberdade para abrir seus corações, pois em muitas vezes ao invés do encorajamento o que recebem é incompreensões, desabafos e até repreensões. Infelizmente existem muitos bravos soldados feridos, e outros que estão carregando ressentimentos e amarguras em seus corações por não terem encontrado pessoas com que pudesse abrir seus corações, apenas ouvirem-nas... apenas as entenderem... apenas estar do lado... apenas ser amigo! Que remédio celestial!
Algumas vezes fico pensando se o apóstolo Paulo teria sido o que foi sem o apoio, incentivo e encorajamento que recebeu de Barnabé (chamado filho da consolação ou encorajamento) no inicio de sua fé cristã. Um estudo mais profundo demonstra como foi importante, mais do que imaginemos a principio, a influência de Barnabé na vida e ministério de Paulo. Que Deus levante mais Barnabés, que tenham o coração disposto a ouvirem, entenderem, que estejam ao lado e que ministrem consolação e encorajamento para os missionários de hoje.
Graças a Deus pelos Barnabés atuais, irmão e igrejas, que tem verdadeiramente sido usados por Deus para ministrar consolo e encorajamento para os missionários e com os quais os missionários podem abrir sem reserva seus corações.
Particularmente, quero agradecer a todos amados irmãos e igrejas que nos apóiam com tanto amor e carinho, por serem verdadeiros Barnabés para nós: para mim, para minha esposa e para meus filhos. Nós amamos a todos vocês e queremos dizer que são realmente importantes para nossas vidas e ministério!
"Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus." (Rm 15:5).

Visão de uma missionária, nas densas trevas da Índia

Os tambores soavam a noite inteira, e a escuridão tremia em redor de mim, como se fossem um ser vivente. Não podia dormir, mas deitada, com os olhos abertos, parecia que via o seguinte:
Eu estava de pé sobre a grama, a beira dum abismo de espaço infinito. Olhei, mas não podia ver o fundo! Havia somente nuvens horríveis e profundezas insondáveis. Afastei-me atônita.
Então percebi vultos de pessoas andando, uns após os outros, pelo gramado. Estavam marchando para a margem do abismo. Vi, uma mulher com uma criança nos braços e outra ao seu lado, segurando-se no vestido de sua mãe. Ela estava bem na margem! Vi, então, que ela era cega. Levantou o pé para dar mais um passo, e caiu, e a criança com ela. Oh! Que grito!
Além disto, vi uma multidão de gente procedente de todas os lados. Todos eram cegos; todos andavam em direção a margem do precipício. Quase todos gritavam quando se sentiam caindo, e levantavam as mãos como se quisessem segura-se em alguma coisa para não cair, enquanto outros passavam e caiam calados.
Então senti grande agonia: porque não havia alguém para preveni-los do perigo? Eu não podia fazê-lo. Estava paralisada no lugar e não podia clamar. Apesar de fazer maiores esforços, só podia cochichar.
Depois vi que, ao longo da margem, estavam postas algumas sentinelas. Porém o espaço entre elas era grande demais, e nestes lugares caiam multidões de pessoas cegas, sem serem prevenidas. A verde grama parecia-me encarnada com sangue e o abismo parecia a boca do inferno.
Então vi, como se fosse um quadro de paz, um grupo de gente debaixo de algumas árvores, com as costas viradas para o abismo: estavam fazendo enfeite de flores. As vezes quando um grito agudo rompia o silêncio, eles se turbavam e se queixavam do barulho. E se alguém se levantava para ir acudir-lhes, o seguravam, dizendo: "Porque estás perturbado! Não tens acabado tua grinalda. É feio ires e deixar-nos trabalhando".
Havia um outro grupo: era de pessoas que se esforçavam em mandar mais sentinelas, mas poucos queriam ir, em alguns lugares haviam espaços de alguns quilômetros, sem sentinelas na margem do abismo. Vi uma moça estacionada, sozinha num lugar, evitando que alguém caísse, mas sua mãe e outros parentes chamaram-na, dizendo que era tempo para as suas férias e que não devia desviar-se do costume de as gozar. A moça se sentindo cansada e obrigada a fazer uma mudança, retirou-se por um tempo. Mas ninguém foi enviado para guardar o lugar que ela deixara, e as pessoas caíam constantemente, como uma cachoeira de almas.
Uma vez, uma criança, ao cair, agarrou-se numa moita de capim, que estava na margem do abismo. Ficou pendurada, chamando, pedindo socorro, mas ninguém prestava atenção. Por fim arrancou-se o capim pelas suas raízes, e a criança caiu, dando grito, tendo as mãozinhas ainda agarradas ao capim. A moça que desejava estar de novo no seu lugar, pensava Ter ouvido o grito da criança. Mas quando falou em voltar, foi reprovada pelos parentes, que diziam não haver necessidade, que o lugar seria guardado por outros. Então cantaram um hino.
Enquanto cantavam o hino, ouvia-se outro som, como se fosse a dor de milhões de corações exprimidos numa só gota, num só soluço. Sobreveio-me um horror de grandes trevas, porque entendi que era o grito de sangue.
Então trovejava a voz do Senhor que, disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão esta clamando a mim desde a terra".
Os tambores continuavam a tocar pesadamente, e a escuridão tremia ao redor de mim! Ouvia os gritos dos que dançavam a dança dos demônios e o triste clamor dos endemoniados fora do nosso portão.
Que me importa? Há muitos anos isso acontece, e continuará acontecendo por muitos anos ainda. Porque falar de uma coisa que tem de ser?
Ô, Deus nos perdoe! Deus nos acorde! Que Deus nos faça sentir a nossa dureza.

(Extraído do Livro Esforça-te para ganhar almas, Orlando Boyer - CPAD)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia Internacional da Amizade - 20 de Julho

Frases sobre amigos:

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade". (Confúcio)

"Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos".(Elmer G. Letterman)

"Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só". (Amir Klink)

"A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos". (Honoré de Balzac)

"Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda gosta de você". (Kim Hubbard)

"Um amigo é uma pessoa com a qual posso ser sincero. Diante dele posso pensar em voz alta".(Ralph Emerson)

"No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos".(Martin King)

"A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas". (Francis Bacon)

"Um amigo é a pessoa a quem mais se dá crédito quando fala mal de nós". (Jean Rostand)

"Amigos são como o vento: às vezes perto, outras longe, mas eternos em nossos corações". (Desconhecido)

"Todos ouvem o que você diz. Os amigos escutam o que você fala. Os melhores amigos prestam atenção ao que você não diz".(Desconhecido)

"Nós só percebemos que a amizade é verdadeira, quando precisamos de uma mão do amigo e ele nos oferece as duas". (Larusso)

"A verdadeira amizade é como a saúde: o seu valor só é reconhecido quando a perdemos". (Charles Colton)

"Os nossos amigos conhecem-nos na prosperidade. Nós conhecemos os nossos amigos na adversidade". (John Collins)

"Amigos de verdade são como dedos: se precisar, você pode contar com eles". (Douglas Rafael)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Amigos

* Por Vinícius de Morais


"Eu talvez não tenha muitos amigos.

Mas os que eu tenho são os melhores
que alguém poderia ter.

Além disso tenho sorte, porque os
amigos que tenho têm muitos
amigos e os dividem comigo.

Assim o meu número de amigos sempre
aumenta, já que eu sempre ganho
amigos dos meus amigos.

Foi assim aqui, uns eu ganhei há tempos,
outros são mais recentes.

E quem os deu não ficou sem eles,
pois a amizade pode sempre ser
dividida sem nunca diminuir
ou enfraquecer.

Pelo contrário, quanto mais dividida,
mais ela aumenta.

E há mais vantagens na amizade:
é uma das poucas coisas que não
custam nada e valem muito,
embora não sejam vendáveis.

Entretanto, é preciso que se cuide um
pouco das amizades. As mais recentes,
por exemplo, precisam de alguns cuidados.
Poucos, é verdade, mas indispensáveis.

É preciso mantê-los com um
certo calor,falar com eles mais
amiúde e no início, com muito jeito.

Com o tempo eles crescem, ficam
fortes e até suportam alguns trancos.

Os mais antigos, já sólidos, não exigem
muito, são como as mudas das plantas,
que depois de enraizadas, parecem
poder viver sem cuidados, porém não
podem jamais ser esquecidas.

Algo é preciso para mantê-las vivas.

Prezo muito minhas amizades e
reservo sempre um canto no
meu peito para elas.

E, sempre que surge a ocasião, também
não perco a oportunidade de dar um
amigo a um amigo, da mesma forma
que eu ganhei vocês.

E não adiantam as despedidas.
De um amigo ninguém se livra fácil.

A amizade além de contagiosa
é totalmente incurável. "