quinta-feira, 12 de março de 2009

Sem euforia

* Por Antonia Leonora van der Meer

Há uma tarefa enorme diante de nós, e somos chamados a assumi-la com humildade, compromisso, disposição ao sacrifício, visão e entusiasmo. Já não cabe a euforia brasileira de que nós somos “o grande celeiro de missões”. Há países como a Índia, com uma igreja bem menor, mais pobre e perseguida, que é muito mais ativa na obra missionária (possui 44 mil missionários, dos quais 60% trabalham de forma transcultural). A igreja evangélica cresceu muito mais em países africanos, em meio a guerras e grandes calamidades, do que no Brasil. A igreja em Angola, por exemplo, cresceu de 384 mil membros em 1975 para 2,1 milhões em 2000 — aumentou cinco vezes e meia. Na Nigéria, aumentou cinco vezes: de 5,2 milhões para 26,2 milhões em 2000. No Brasil, cresceu de 12.450.000 para 26.167.000, um pouco mais que o dobro.
Mas sim, temos nosso lugar, nosso papel, nossa responsabilidade. Infelizmente, na euforia reinante, temos nos sujeitado a todo tipo de vento de doutrinas e práticas estranhas que não honram ao nosso Senhor.
É necessário voltarmos à nossa base evangélica, às ênfases do Congresso de Lausanne e ao compromisso com a missão integral. Nessa área há um espaço-chave para a América Latina e para o Brasil, que foram os evangélicos pioneiros dessa visão: com compromisso, podemos nos tornar resposta de Deus para um mundo em crise.
Até que ponto estamos dispostos a nos tornar vasos de barro, não muito atraentes, nem muito importantes ou respeitáveis, mas muito úteis em levar a água da vida que transforma as pessoas e dessedenta um mundo que está ou morrendo de sede, ou se dessedentando com substâncias tóxicas?
Ser instrumento de bênção nas mãos de Jesus significa que nosso caminho será semelhante ao dele, não sempre de glória em glória, mas por meio da humilhação, do sofrimento paciente, da morte, à vitória verdadeira, a frutos abundantes: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto... Se alguém me serve, siga-me” (Jo 12.24, 26). Mas esse sacrifício não pode ser apenas daqueles que são enviados. Deve ser uma atitude e um compromisso da igreja evangélica brasileira, totalmente presente e comprometida, seguindo o modelo de Jesus, que disse: “E eis que estou convosco todos os dias”... em todos os lugares (Mt 28.20). Estamos prontos?

Extraído da Revista ULTIMATO
* O presente artigo foi escrito por Antonia Leonora van der Meer, mais conhecida por Tonica, foi missionária em Angola por dez anos e, agora, é deã do Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, Minas Gerais.

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