quinta-feira, 12 de março de 2009

O preparo é necessário, mas o chamado é indispensável!

Por Pr. Paulo Henrique

Há o chamado geral, para todos cristãos de todas épocas, para serem testemunhas de Cristo na sua geração (At 1.8), mas no decorrer da história cristã, principalmente no N.T. nós vemos Deus chamando alguns, de maneira especifica, para alcançar: um povo (Paulo e os gentios), um local (Áquila e Priscila em Coríntios) ou mesmo uma pessoa (Felipe e o Eunuco – Atos 8).
O apóstolo Paulo foi um exemplo disto. Ele foi chamado (At 13.1-3). Embora seu chamado não fosse especifico para uma área geográfica, ele o era para uma classe ou povo específico: os gentios (Atos 9.15). E, mesmo assim, algumas vezes Deus o impediu de ir para algum lugar, pois desejava que ele estivesse indo para outro (Atos 16.9).
O chamado (específico) não tem necessariamente de ser para toda vida, mas até que os propósitos de Deus para a vida do chamado sejam concluídos num local ou entre um povo. No A.T. nós vemos que muitos foram chamados para realizarem atividades específicas, algumas dessas atividades foram para a vida toda daquele que foi chamado, enquanto outros foram por um período de tempo apenas, até que fosse concluído o propósito de Deus para aquela pessoa ou situação. Quando entendemos isto, são dissipadas várias críticas quanto aos que se opõem ao chamado específico.
Para mim este assunto é extremamente importante, quando muito se tem discutido a respeito do retorno pré-maturo de muitos missionários. Muitas têm sido as causas deste retorno pré-maturo de missionários. São questões sérias que precisam ser tratadas e discutidas para a busca de soluções. Mas não é minha intenção aqui discutir estes muitos aspectos visto ser algo muito extenso, mas apenas trazer uma luz sobre o assunto em questão. Minha intenção aqui não é desmerecer nenhum estudo missiológico, mas dentre os muitos estudos da supostas causas deste retorno pré-maturo, em pouquíssimos, eu vi ser tratado a questão da convicção do chamado. Infelizmente a convicção do chamado (específico) tem sido deixada de lado, negligenciada e até combatida por alguns como algo errado.
Algo extremamente interessante é que a geração que tem os missionários mais bem preparados, também tem a mais alta taxa de retorno pré-maturo se comparado a gerações anteriores, onde muitos missionários não tinham um bom preparo, como é oferecido hoje aos candidatos ao campo, e muitos não tinham nem mesmo o seu sustento financeiro. Mas foram estes pioneiros que desbravaram muitos campos missionários, alguns dando as suas próprias vidas, e, de certa forma, prepararam muitos campos para que hoje outros missionários possam trabalhar neles. Estes pioneiros iam para o campo sem saber se voltariam vivos, muitos deles sem nem mesmo a promessa de sustento. E minha pergunta é: O que os fazia tão firmes em seu propósito? Por que eram tão perseverantes mesmo estando em piores condições que os atuais missionários? Por que permaneciam, alguns até a morte, ao invés de mudar para outro lugar mais conveniente toda vez que surgia algum problema ou perseguição? Me perdoem, se é muita pretensão minha responder a estas perguntas, mas gostaria de arriscar, tendo como base muitos exemplos bíblicos, também a biografia de muitos destes bravos pioneiros e um pouco da minha própria experiência vivida num campo missionário como a Índia. Eu diria que foi: o chamado de Deus!!!
Não pretendo de maneira nenhuma menosprezar o preparo missiológico, teológico, lingüístico e ou outros. Eu aconselho e recomendo a cada candidato ao campo missionário a investir o máximo possível em seu preparo para o campo. E neste ponto gostaria de deixar uma palavra para o candidato ao campo missionário: Se prepare da melhor maneira, mas antes de ir para o campo missionário busque a direção de Deus e parta com a convicção que Deus o chamou para aquele lugar. Pois do contrário, por melhor que seja seu preparo, quando estiver no campo, quando vierem os problemas, dificuldades e desafios, somados a pressão espiritual, você carregará com muita certeza um outro fardo: o da dúvida. Um das perguntas que o perseguirá será: "Será que é aqui, neste lugar, que Deus quer que eu esteja?" Mas se você tem a convicção que foi Deus que lhe chamou e lhe está enviando para este lugar, ainda que o inimigo tente o inquietar e por dúvida com relação ao seu chamado, ele não terá sucesso!
Muitas coisas são importantes antes do missionário ser enviado ao campo, como o preparo teólogico, psicológico, missiológico, mas uma coisa é por demais importante - é a convicção de seu chamado. O preparo é necessário, mas o chamado é indispensável! Por melhor que seja o preparo, a realidade do campo missionário é bem diferente. Mas quando você tem a convicção de seu chamado, não importa onde, este lugar será o melhor lugar do mundo para você estar, pois é ali que Deus quer que você esteja. O que traz consolo, conforto, e renovo espiritual todos os dias é você saber que está no centro da vontade de Deus. Isto traz uma paz profunda!
Quando falo isso lembro-me do que Moisés disse para Deus em Ex 33.15: "Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui." Da mesma forma que Moisés, eu não teria coragem de ir trabalhar num campo missionário como a Índia e agora como a Itália se Deus não nos tivesse chamado. Mas quando Deus chama, Ele envia, mas Ele não nos envia sozinhos, Ele mesmo vai conosco, e jamais nos desampara. “...Porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5)

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