sábado, 26 de dezembro de 2009

Pedro e seu machado

Pedro, um lenhador, após um grande trabalho em uma área de desmatamento, se viu desempregado. Após tanto tempo cortando árvores, entrou no corte! A madeireira precisou reduzir custos...
Saiu, então, à procura de nova oportunidade de trabalho. Seu tipo físico, porém, muito franzino, fugia completamente do biótipo de um lenhador. Além disso, o machado que carregava era desproporcional ao seu tamanho. Aqueles que conheciam Pedro, entretanto, julgavam-no um ótimo profissional.
Em suas andanças, Pedro chegou a uma área reflorestada que estava começando a ser desmatada. Apresentou-se ao capataz da madeireira como um lenhador experiente. E ele o era! O capataz, após um breve olhar ao tipo miúdo do Pedro e, com aquele semblante de selecionador implacável, foi dizendo que precisava de pessoas capazes de derrubar grandes árvores, e não de "catadores de gravetos". Pedro, necessitando do emprego, insistiu. Pediu que lhe fosse dada uma oportunidade para demonstrar sua capacidade. Afinal, ele era um profissional experiente! Com relutância, o capataz resolveu levar Pedro à área de desmatamento. E só fez isso pensando que Pedro fosse servir de chacota aos demais lenhadores. Afinal, ele era um fracote...
Sob os olhares dos demais lenhadores, Pedro se postou frente a uma árvore de grande porte e, com o grito de "madeira", deu uma machadada tão violenta que a árvore caiu logo no primeiro golpe. Todos ficaram atônitos! Como era possível tão grande habilidade e que força descomunal era essa, que conseguira derrubar aquela grande árvore numa só machadada? Logicamente, Pedro foi admitido na madeireira. Seu trabalho era elogiado por todos, principalmente pelo patrão, que via em Pedro uma fonte adicional de receita.
O tempo foi passando e, gradativamente, Pedro foi reduzindo a quantidade de árvores que derrubava. O fato era incompreensível, uma vez que Pedro estava se esforçando cada vez mais. Um dia, Pedro se nivelou aos demais. Dias depois, encontrava-se entre os lenhadores que menos produziam...
O capataz que, apesar da sua rudeza, era um homem vivido, chamou Pedro e o questionou sobre o que estava ocorrendo. "Não sei", respondeu Pedro, "nunca me esforcei tanto e, apesar disso, minha produção está decaindo".
O capataz pediu, então, que Pedro lhe mostrasse o seu machado. Quando o recebeu, notando que ele estava cheio de "dentes" e sem o "fio de corte", perguntou ao Pedro: "Por que você não afiou o machado?". Pedro, surpreso, respondeu que estava trabalhando muito e por isso não tinha tido tempo de afiar a sua ferramenta de trabalho. O capataz ordenou que Pedro ficasse no acampamento e amolasse seu machado. Só depois disso ele poderia voltar ao trabalho. Pedro fez o que lhe foi mandado. Quando retornou à floresta, percebeu que tinha voltado à forma antiga: conseguia derrubar as árvores com uma só machadada.
A lição que Pedro recebeu cai como uma luva sobre muitos de nós - preocupados em executar nosso trabalho ou, pior ainda, julgando que já sabemos tudo o que é preciso, deixamos de "amolar o nosso machado", ou seja, deixamos de atualizar nossos conhecimentos. Sem saber por que, vamos perdendo posições em nossas empresas ou nos deixando superar pelos outros. Em outras palavras, perdemos a nossa potencialidade.
Muitos avaliam a experiência que possuem pelos anos em que se dedicam àquilo que fazem. Se isso fosse verdade, aquele funcionário que aprendeu, em 15 minutos, a carimbar os documentos que lhe chegam às mãos, depois de 10 anos na mesma atividade poderia dizer que tem 10 anos de experiência. Na realidade, tem 15 minutos de experiência repetida durante muitos anos.
A experiência não é a repetição monótona do mesmo trabalho, e sim a busca incessante de novas soluções, tendo coragem de correr riscos que possam surgir. É "perder tempo" para afiar o nosso machado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta Informativa - Dezembro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 09 de Dezembro de 2009.

Aquele que os chama é fiel, e fará isso.” (1Ts 5.24 NVI)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz vos sejam multiplicadas.

Estamos chegando ao fim de mais um ano e, apesar dos muitos desafios, podemos dizer que até aqui nos ajudou o Senhor.
O ano de 2009 foi marcado por muitos desafios e lutas, mas também muitas vitórias. Creio que os irmãos ainda se lembram do que passei na viagem de pastoreio na Índia. Mas, nada disso pode se comparar com o que Deus fez, está fazendo e ainda fará por, com e através das nossas vidas. Como sempre costumo dizer: “o melhor lugar para estarmos é no centro da vontade de Deus”. E, é onde queremos sempre estar! Como o apóstolo Paulo, não temos sido desobedientes a visão celestial, que em nosso caso é estar ajudando a alcançar a Itália para Cristo e, sabemos que no kairós (tempo) de Deus estaremos chegando em terras italianas.
O trabalho na Índia continua avançando em nome de Jesus. Agora, já estamos alcançando, através do sete obreiros indianos que estão trabalhando debaixo da nossa organização (Sporshow) na Índia, 17 localidades (14 vilas do Estado de West Bengal e 3 localidades de Calcutá) com quase 900 pessoas servindo ao Senhor. Glórias a Deus!
Eu ainda me lembro do início do trabalho, onde, o Pr. Binaya e eu, iníciamos o trabalho na vila de Baruipur com apenas cinco pessoas. Sinceramente não imaginava que um dia pudessemos estar alcançando quase mil pessoas através do ministério que iníciamos na Índia, onde servimos por quase cinco anos na obra missionária. A Deus seja toda glória e nossa sincera gratidão a todos amados irmãos que tem nos apoiado, bem como aos obreiros indianos que estão dando continuidade ao trabalho na Índia, desde o início até o momento. Vocês também são participantes de tudo isso!
Mais uma vez, queremos expressar nossa profunda e sincera gratidão a todos amados irmãos que têm estado conosco na obra missionária. Nunca nos esquecemos de todos vocês, principalmente em nossas orações. Muito obrigado a todos! Esperamos poder continuarmos juntos na obra missionária durante o todo o ano de 2010, se Deus quizer, já na Itália.
Queremos aproveitar a oportunidade para desejar a todos nossos companheiros na obra missionária um Feliz Natal e um Abençoado Ano Novo, cheio das bênçãos do nosso Bom Deus.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Formatura do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA em Águas Claras


Quero parabenizar a todos os alunos da Segunda Turma do Ano de 2009 do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA – Extensão em Águas Claras pela dedicação e perseverança nos estudos, que agora é recompensada no dia da formatura.
Foram quase sete meses de estudos que proporcionou a todos alunos uma visão mais profunda do que é missões, e onde pudemos perceber claramente que a fé cristã é intrinsecamente missionária. O cristianismo é missionário por sua própria natureza, ou nega sua própria razão de ser.
Durante as décadas de 1980 e 1990 se propagou na mídia evangélica que o Brasil seria o grande celeiro de missões. Nós, os brasileiros, seríamos os “salvadores do mundo”. O mundo somente poderia ser evangelizado pelos missionários brasileiros. Como se diz, numa linguagem secular, “eramos a bola da vez”. Gradativamente este discurso foi perdendo cada vez mais sua força e, embora ainda seja sustentado por alguns, já não soa tão convincente como anteriormente. O que aconteceu com a euforia deste discurso.
Paulo Feniman nos apresenta uma forte razão. “Ao olhar para igreja atual parece que há algo de errado, que de alguma forma ela conseguiu mudar seu propósito e sua natureza, conseguiu desviar-se do que a princípio foi estabelecido pelo próprio Jesus. A igreja Brasileira nos últimos anos foi invadida por aquilo que denominamos de teologias da anti-missão. Uma dessas teologias é a teologia da prosperidade que levou a igreja evangélica brasileira a uma mudança de paradigma. As igrejas, bem como seus ministérios, suas pregações e suas ações deixaram de servir para serem servidas. Neste processo nossa igreja busca somente satisfazer seus próprios interesses”.
O livro de Atos, apesar de ser o autêntico registro missionário dos apóstolos e da igreja primitiva, na verdade não relata a obediência da igreja em fazer missões, mas sim, sua relutância em sair da zona de conforto e levar o evangelho até os confins da terra. Foi necessário a perseguição para forçar os crentes sairem de Jerusalém e começarem a atingir com o evangelho as outras regiões que Jesus tinha lhes ordenado (At 1.8; 8.1). Houve pouca alegria quando Cornélio se converteu, só horror pelo fato de que Pedro havia entrado na casa de homens incircuncisos e comido com eles (At 11.2). Infelizmente, sempre houve e, nos dias atuais, têm havido com maior intensidade uma resistência da própria igreja em obedecer o IDE de Cristo.
David Bosch, em seu livro Missão Transformadora, afirma: “A natureza missionária da igreja não depende simplesmente da situação na qual ela se encontra em dado momento, mas está baseada no próprio evangelho. A justificação e fundamentação das missões no exterior, bem como no próprio país, ‘reside na universalidade da salvação e na indivisibilidade do reinado de Cristo’ (Linz 1964:209). A diferença entre missões no exterior e no próprio país não é uma diferença de príncipio, mas de alcance”.
É com tristeza que vemos a igreja brasileira sendo levada por ventos de modismos, sendo que poucas igrejas locais estão realmente envolvidas e comprometidas com a obra missionária. Infelizmente, os evangelistas que estão na mídia, principalmente na TV, são um retrato claro das teologias da anti-missão que afetam a igreja brasileira. Alguns investem grandes somas de dinheiro em cruzadas e programas, onde o objetivo principal não é apresentar a salvação em Cristo, mas a teologia da prosperidade para os crentes. Onde, para estes, a pobreza financeira é tratada como uma maldição. Não precisa nem ser muito inteligente para ver que isto não está de acordo com a Bíblia. Agora existe uma pobreza que sim, tem trago grande maldição a muitas pessoas. É a pobreza de conhecimento e falta de vontade em obedecer a vontade do Senhor, que deu a Sua igreja uma ordem, não uma sugestão ou opinião: “Portanto, vão e façam discípulos de de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Milhões estão vivendo debaixo de maldição, sem conhecer a Cristo, como consequencia da omissão da igreja.
Precisamos, novamente, lançar mão das bases da Reforma Protestante realizada por Martinho Lutero: "Sola Scriptura [somente as Escrituras], Sola Gratia [somente pela Graça], Sola Fide [somente pela fé], Solus Christus [somente Cristo], Soli Deo Gloria [glória somente a Deus].” Durante a Idade Média, também chamada Idade das Trevas, onde o povo não tinha acesso a Palavra de Deus, Sola Scriptura (Somente as Escrituras) foi o “grito de guerra” da reforma protestante, ou seja, o retorno à Palavra de Deus. Martin Hengel afirmou, de maneira muito apropriada que, “a história e a teologia do cristianismo primitivo são, antes de mais nada, ‘história da missão’ e ‘teologia da missão’” (Hengel 1983b:53).
Que Deus nos ajude a mantermo-nos fieis a missão de Deus (Missio Dei), sendo instrumentos para levar a salvação em Cristo à todas as nações, tribos, povos e línguas.
PARABÉNS A TODOS OS FORMANDOS!

* Pr. Paulo Henrique foi escolhido para falar em nome dos Professores do Curso de Capacitação Missionária de SEMIPA na formatura da segunda turma da Extensão em Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto - RJ, no dia 01 de Dezembro de 2009.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carta Informativa - Novembro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 12 de Novembro de 2009.

Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro” (2Co 11.28,29 - NVI)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.

Até aqui tem nos ajudado o Senhor!
Como é bom saber que temos muitos amados irmãos e igrejas em nossa retaguarda, segurando a outra ponta da corda. Mas é bom saber que, além de mantenedores e intercessores, muitos têm sido também grandes amigos e companheiros, verdadeiros “Barnabés” (filho do encorajamento) para nossas vidas.
Tenho acompanhado o trabalho na Índia, através dos obreiros indianos que estão dando continuidade ao trabalho naquela nação. O trabalho continua crescendo e avançando em nome de Jesus, mas como é de se esperar, nunca sem problemas e oposições do inimigo. Em cada contato com os nossos amados irmãos e amigos na Índia fico feliz em saber que novas pessoas estão vindo para Cristo, que os trabalhos estão crescendo, mas também somos informados de outras situações nem um pouco agradáveis, como enfermidades e necessidades que ainda não conseguimos suprir (locais de culto mais apropriados em várias vilas, meios para alcançarmos novas vilas, necessidades financeiras, e tantas outras). Como o apóstolo Paulo sentiu, também sentimos uma pressão interior, ou seja, nos preocupamos com o trabalho na Índia, bem como com o bem-estar dos obreiros e irmãos indianos, afinal, foi onde dedicamos integralmente cinco anos de nossas vidas. Eles, literalmente, se tornaram nossa família também, através de Cristo e pelos laços do amor cristão.
Outra pressão que sentimos e com relação a nossa ida para Itália. Temos plena certeza e convicção do chamado para aquela nação, mas não é fácil este tempo de espera. Temos ampliado os nossos contatos e temos muitos irmãos no Brasil e na Itália que têm buscado nos ajudar para conseguirmos a documentação necessária, mas até o momento o desafio permanece.
Todas essas situações, somadas a outras do dia-a-dia, acabam por trazer uma grande pressão interior, mas não se limita somente a isto. Como já disse, apesar dos desafios, o trabalho na India está crescendo, como mais vilas sendo alcançadas através dos novos obreiros e cremos que estaremos chegando ao final, com cerca de mil pessoas sendo alcançadas através do nosso ministério (Sporshow) na Índia. E o inimigo de nossas almas não assiste a isto passivamente, como também, não fica de braços cruzados sabendo das muitas promessas que temos de Deus para a Itália. Talvez, nem todas as pessoas sejam capazes de entender, mas a pressão espiritual a quem somos submetidos (contra-ataque do inimigo) é muito grande também. Apesar de buscarmos nos fortalecer no Senhor e na força de Seu poder, principalmente através da Palavra de Deus e da oração, têm dias que está pressão é muito forte. Não é algo que dê para se explicar, mas estou certo que alguns irmãos já passaram por situações semelhantes. Por isso, pedimos que nunca se esqueçam de nós em vossas orações.
Todos os irmãos que nos conhecem pessoalmente, sabem que eu particularmente não sou de pedir nada, além da oração. Não que não tenhamos outras necessidades, mas sei que quando os irmãos intercedem a Deus em nosso favor, o Senhor responde “além do que pedimos ou pensamos”. Se estou no ministério e na obra missionária é pelo chamado de Deus. Somos totalmente e completamente dependentes de Deus. Eu creio no que diz a Bíblia: “A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5.16 – NVI). Por isso as vossas orações em nosso favor são tão preciosas para nós!
Somos profundamente gratos a todos amados irmãos que têm, com fidelidade, orado e contribuído para o nosso ministério. Obrigado a todos por estarem conosco em todos os momentos, segurando as cordas da oração e da contribuição.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O que você está fazendo?

domingo, 18 de outubro de 2009

Carta Informativa - Outubro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 18 de Outubro de 2009.

Mas quem se gloriar, glorie-se nisto; em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra; pois é dessas coisas que me agrado, declara o Senhor” (Jr 9.24)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqui estamos todos bem, graças ao nosso Bom Deus. Apesar dos desafios, podemos dizer que “até aqui nos ajudou o Senhor”.
Junto com esta carta, estamos enviando, para todos nossos mantenedores e intercessores, uma foto da nossa família, para que possam sempre estar lembrando de todos nós. Somos muito carentes de vossas orações e do vosso apoio.
Temos acompanhado o trabalho na Índia que segue avançando em nome de Jesus. Se Deus quiser, no próximo mês estarei enviando também uma foto (montagem) com todos os obreiros indianos debaixo de nossa liderança, que agora somam sete.
Quero agradecer a todos que oraram pelo Pr. Binaya. SEMIPA enviou o valor necessário para a cirurgia, que já foi realizada e agora ele já se encontra em casa, se recuperando da mesma. Por favor, continuem orando pela sua completa recuperação.
Neste mês comecei um curso de Design e Web na cidade de Teresópolis. Eu já venho utilizando muito dos meus poucos conhecimentos nesta área na obra do Senhor, em especial na obra missionária, agora estou tendo a oportunidade de aperfeiçoar estes conhecimentos. Outra grande vitória foi que eu consegui o registro na FENAI (Federação Nacional de Imprensa) por estar escrevendo para o Jornal Paixão pelas Almas há mais de 15 anos. Estarei recebendo minha carteira de jornalista, que tenho certeza, vai ser útil na obra do Senhor. Estas vitórias têm sido alcançadas com esforço, dedicação e, vocês são participantes de cada vitória alcançada. A Deus seja toda glória!
Lembramos que através de nosso blog (www.seara-italia.blogspot.com) vocês poderão encontrar nossas cartas informativas, várias matérias, vídeos, fotos e muito mais. Também no meu perfil do orkut vocês poderão encontrar cerca de 700 fotos.
Somos profundamente gratos a todos amados irmãos que têm, com fidelidade, orado e contribuído para o nosso ministério. Até aqui, temos vencido muitos desafios juntos e com certeza estaremos vencendo muitos outros, em nome de Jesus. Muito em breve, estaremos chegando na Itália, com vossas orações e apoio.
Obrigado a todos por estarem conosco em todos os momentos, segurando as cordas da oração e da contribuição. “Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1 Co 15.58 NVI).

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A teologia da Anti-Missão

Por Paulo Feniman

Ao olhar para igreja atual parece que há algo de errado, que de alguma forma ela conseguiu mudar seu propósito e sua natureza, conseguiu desviar-se do que a princípio foi estabelecido pelo próprio Jesus.
A igreja Brasileira nos últimos anos foi invadida por aquilo que denominamos de teologias da anti-missão. Uma dessas teologias é a teologia da prosperidade que levou a igreja evangélica brasileira a uma mudança de paradigma. As igrejas, bem como seus ministérios, suas pregações e suas ações deixaram de servir para serem servidas. Neste processo nossa igreja busca somente satisfazer seus próprios interesses.
Nos últimos anos a igreja deixou de ser agente missionário para se tornar uma instituição mercadológica onde o evangelho é vendido sem escrúpulos, e onde o melhor vendedor é aquele que possui uma mega-igreja ou uma igreja de destaque na sociedade, não por aquilo que faz mais pela aparência que tem. Tenho uma séria preocupação com o modo com que à igreja brasileira absorve modelos pré-prontos, tornando-os mais importantes os princípios teológicos da missão. Quando olhamos atentamente para a igreja brasileira percebemos que ela sofre de uma síndrome que a distancia a cada instante da sua natureza missionária. Nossas igrejas não conseguem desenvolver uma ação prática que possa transformar nossa comunidade.
A respeito da realidade da igreja brasileira, Ariovaldo Ramos a descreve desta forma:
A face mais visível da igreja brasileira e, aparentemente, a que mais cresce, em vez de denunciar a injustiça social e propor e viver uma economia solidária, passou a pregar uma teologia que sustentava a desigualdade, ao afirmar que a riqueza deveria ser o alvo do crente, e que o caminho é a fé atestada pelo nível de contribuição e pela capacidade de arbitrar, por, decreto, sobre o que Deus deve fazer. (...)
Em vez de viver , sinalizar e anunciar o reino, passou a caçar os principados e potestades nas regiões celestiais, ora localizando e derrubando os seus potes-ídolos, ora ungindo de alguma forma criativa a cidade, inaugurando o que James Houston chamou de evangelização cósmica. (...)
Outro houve que assumiu a igreja como uma empresa, sonhando também com impérios, e passou a importar modelos de gerenciamento que a organizasse, desenvolvesse excelência ministerial e produzisse crescimento, usando muitas vezes o princípio do apartheid as ovelhas foram transformadas em mão-de-obra e os pastores, em gerentes de programa. (Ramos, 2005, p. 201-203)
Diante deste quadro tão preocupante que se encontra a igreja brasileira, para que possamos retomar os princípios neo-testamentários a cerca da missão é necessário redescobrir na igreja de que forma a missão cristã pode exercer mudanças em nossa geração, buscar a luz de uma pesquisa teológica e bíblica quais são os princípios e valores inerentes à função da igreja cristã em nossa sociedade.
David Bosh ao falar sobre esta natureza da igreja diz:
Na eclesiologia emergente, a igreja é vista como essencialmente missionária. O modelo bíblico que está por trás dessa convicção e que tem sua expressão clássica em AG2 ("A igreja peregrina é missionária por sua natureza"), é aquele que encontramos 1 Pedro 2.9. Aqui a igreja não é a remetente, mas a remetida. Sua missão (o fato de "ser enviada") não é secundária em relação à sua existência; a igreja existe ao ser enviada e edificar-se visando à sua missão (Barth 1956:725 - estou me baseando aqui no original alemão, e não na tradução inglesa). A eclesiologia, portanto, não constitui uma atividade periférica de uma igreja firmemente estabelecida, [está] queimando fulgurantemente (...) A Atividade missionária não é tanto uma ação da igreja, mas é simplesmente a igreja em ação (Bosh, 2002, p. 447)
Através de um estudo aprimorado sobre a identidade da igreja e sua ação missionária quero propor um novo pensamento a cerca de nossa caminhada e uma ação mais efetiva que possa trazer mudanças palpáveis em nossa sociedade, principalmente entre aqueles que necessitam de uma transformação integral, mostrar apontamentos de como podemos reverter essa realidade.
É preciso retomar nossas idéias, parar com tudo e entrar num processo de reavaliação de nossos conceitos e paradigmas. Deixar de lado nossa ansiedade em "evangelizar" o mundo e começar a pensar em missão como um processo de transformação integral na vida daqueles que são atingidos por ela.
Nosso primeiro passo deve consistir em buscar de forma bíblica e teológica os conceitos da missão deixada a nós por Cristo, identificar quais são as verdades bíblicas a respeito deste tema e quais são os modismos que devemos abandonar, pois nossos modismos nos levam a servir muito mais a nós mesmos do que aos que ainda não conhecem o evangelho.
Sem uma visão clara a cerca da missão, corremos o risco de nos tornarmos uma simples instituição mercadológica preocupada só com o numero de almas ou com as metas numéricas que devemos alcançar.
A igreja deve deixar seus programas gerenciais e voltar-se a vida das pessoas, trazendo um evangelho integral que atenda as necessidades. Precisamos tornar nossas igrejas úteis aos necessitados, nossos cultos acessíveis a todos sem exceção, assim poderemos vivenciar e demonstrar o amor de Deus pelos povos. Um dos grandes passos para a igreja atual é romper com o evangelho apenas falado e começar a viver um evangelho prático que caminha em direção às pessoas.
Usando Cristo como exemplo, poderemos encontrar os parâmetros necessários para o cumprimento desta missão. Olhar para Cristo nos levará a abandonar nosso orgulho e hipocrisia que gera um muro que nos separa da missão autêntica.
Quando deixarmos de lado nosso próprio eu, daremos espaço para que o Espírito Santo aja através de nós.
A missão começa quando nós experimentamos uma intimidade autêntica com Deus que nos leva a compreender seu amor, sua graça e sua bondade. Mesmo que isso não seja uma atitude fácil, e não é, precisamos caminhar para um processo de busca neo-testamentária, seguindo o exemplo dos cristãos do primeiro século.
De forma prática a busca para responder ao chamado da missão, deve ser um só:
"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que embora sendo Deus, não considerou o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas se esvaziou a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!" (NVI, p. 941)

BIBLIOGRAFIA
BIBLIA SAGRADA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2002.
RAMOS, Ariovaldo. "A Ética e a Igreja". IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE EVANGELIZAÇÃO 2. Missão Integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Viçosa: Ultimato; Belo Horizonte: Visão Mundial, 2004, p.197-205.
BOSH, D. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

FONTE: Missão Para o Interior da África - http://www.miaf.org.br/

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As 95 Teses de Martinho Lutero

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante, de onde posteriormente veio a Igreja Presbiteriana, e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas.



Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese

Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2ª Tese

E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3ª Tese

Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

4ª Tese

Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5ª Tese

O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese

O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7ª Tese

Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8ª Tese

Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese

Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

10ª Tese

Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese

Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12ª Tese

Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese

Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese

Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese

Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese

Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese

Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese

Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese

Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

20ª Tese

Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

21ª Tese

Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22ª Tese

Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese

Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24ª Tese

Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese

Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese

O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese

Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese

Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese

E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

30ª Tese

Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese

Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese

Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese

Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese

Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35ª Tese

Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese

Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese

Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese

Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39ª Tese

É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese

O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41ª Tese

É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44ª Tese

Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

46ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

48ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese

Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

52º Tese

Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53ª Tese

São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese

Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55ª Tese

A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese

Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

57ª Tese

Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese

Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59ª Tese

São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese

Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese

Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62ª Tese

O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese

Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese

Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese

Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese

Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese

As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese

Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese

Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-

70ª Tese

Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71ª Tese

Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72ª Tese

Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73ª Tese

Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese

Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75ª Tese

Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

78 ª Tese

Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

77ª Tese

Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

78ª Tese

Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

79ª Tese

Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª Tese

Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81ª Tese

Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82 ª Tese

Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

83ª Tese

Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84ª Tese

Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

85ª Tese

Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

86ª Tese

Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

87ª Tese

Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

88ª Tese

Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89ª Tese

Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

90ª Tese

Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese

Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese

Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

93ª Tese

Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94ª Tese

Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95ª Tese

E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Modernas Indulgências

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Carta Informativa - Setembro de 2009

São José do Vale do Rio Preto / RJ, 03 de Setembro de 2009.

E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado.” (Jo 8.29)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Graça e a paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqui, estamos todos bem, graças ao nosso Bom Deus. Com relação ao problema no nervo ciático estou bem, embora esporadicamente sinta alguma dor leve.
As estatísticas missionárias já compravam e atestam há muitos anos que um dos tempos mais difíceis para os missionários é exatamente o retorno (seja definitivo ou transitório). Não tem sido nada fácil permanecer tanto tempo no Brasil, quando nossos corações estão no campo missionário. Mas, apesar da ansiedade e tudo mais por que temos passado, entendemos que nossas vidas estão nas mãos de Deus e no seu tempo (kairós) haveremos de chegar em terras italianas. Um dos textos que tem trago grande consolo ao meu coração é: "Respondeu Jesus: 'Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá" (Jo 13.7 NVI). Creio que um dia entenderemos o porquê deste tempo de espera, se não aqui, com certeza na eternidade. Precisamos muito de vossas orações e apoio em todo o tempo.
No mês de Agosto estivemos bastante ocupados com os preparativos para o Congresso de SEMIPA. Estamos responsáveis, junto com outros irmãos, pela barraca de comida indiana que tem como objetivo principal levantar recursos para SEMIPA. Foi bastante cansativo, mas ao mesmo tempo gratificante.
Na minha viagem à Índia entre Maio e Junho deste ano deixei tudo organizado para que possamos ampliar o número de obreiros indianos que trabalham debaixo da organização que fundamos ali (Sporshow). A partir deste mês outros quatro novos obreiros indianos começam a ser mantidos por SEMIPA e treinados pelos obreiros que treinamos e deixamos na supervisão do trabalho na Índia. Assim poderemos ampliar o número de pessoas e locais alcançados pela Palavra de Deus. Glórias a Deus!
Peço oração para o Pr. Binaya que vêm tendo alguns problemas de saúde. Ele teve uma paralisia facial e problemas cardíacos. Com o tratamento ele já está melhor, mas talvez tenha que passar por uma cirurgia.
Neste mês junto com a nossa carta informativa estamos enviando também um DVD com alguns vídeos (Especial da Índia 2006, Projeto Seara Índia, Projeto Seara Itália e a Viagem de Pastoreio a Índia 2009). Você poderá visualizar o que Deus tem feito através de nosso ministério, como também os desafios que ainda temos pela frente. Todos os nossos mantenedores e intercessores são participantes de todos os frutos que já têm sido e que serão alcançados. Obrigado por estarem conosco nesta obra, segurando as cordas da oração e contribuição. Para aqueles que ainda não são participantes, gostaríamos de convidá-los a serem. Toda e qualquer ajuda é muito bem-vinda e necessária.
Somos profundamente gratos a todos amados irmãos que têm, com fidelidade, orado e contribuído para o nosso ministério. Obrigado por estarem conosco em todos os momentos, segurando as cordas da oração e da contribuição. Tenha certeza que nós nunca, jamais nos esquecemos de vossa cooperação desde o início e até agora.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique, Alessandra, Matheus e Lucas
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Escreva para nós através dos e-mails:
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Dezesseis anjos

"Durante a revolta dos Mau Mau no Quênia em 1960, os missionários Matt e Lora Higgens estavam retornando uma noite para Nairobi através do coração do território Mau Mau, onde quenianos e missionários igualmente tinham sido assassinados e mutilados. A mais de cento e dez quilômetros de Nairobi, o Jeep deles parou. Eles tentaram concertar o carro no escuro, mas não conseguiram dar a partida no carro. Então, eles passaram a noite no carro, mas reivindicaram a promessa de Salmos 4.8: “Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.” Na manhã seguinte eles conseguiram concertar o carro.
Poucas semanas depois Matt e Lara Higgens retornaram para os Estados Unidos de licença. Eles informaram que uma noite antes deles deixarem Nairobi, um pastor local tinha os visitado. Ele disse como um membro dos Mau Mau tinha confessado que ele e outros três tinham rastejado até o carro para matar o casal de missionários, mas quando eles viram dezesseis homens ao redor do carro, eles fugiram com medo. "Dezesseis homens?” Matt Higgins respondeu. "Eu não sei o que isto significa!”
Enquanto eles estavam de licença um amigo, Clay Brent, perguntou a Matt e Lora Higgens, se eles tinham estado em qualquer perigo recentemente. O casal perguntou, “Por quê? Então Clay disse que em 23 de Março, Deus tinha posto um peso de oração sobre seu coração. Ele, então, chamou alguns homens da igreja e dezesseis deles se reuniram e oraram até que o peso de oração passou.
Deus enviou dezesseis anjos para representar aqueles homens e reforçar suas orações. O céu vai revelar muitas descrições maravilhosas de como Deus usou especial peso de oração para promover Sua causa e proteger Seu povo."
Extraído do Livro “Touch the world through prayer” (Wesley L. Duewel) – tradução livre

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Abismo demográfico, as famílias em colapso

Por Luiz Fernando Rezende Coutinho

FERRARA, ItáliaNuma noite recente no centro recreativo do Elefante Azul, aqui em Ferrara, um grupo de pais e mães observava, rejubilante, enquanto dúzias de crianças de 3 ou 4 anos corriam por uma sala de brincadeiras colorida, pulando no chão almofadado ou rabiscavam em folhas de desenho, inflamados de orgulho criativo.
Era a Itália tal como os estrangeiros ainda a imaginam: adorando as crianças e amando a família.
Mas havia qualquer coisa de errado nesta imagem. A maioria dos pais contemplava uma e apenas uma criança.
Isto é verdade para Gianluca Valenti, que dizia que dar irmãos ao seu filho seria demasiado cansativo e dispendioso, e para Barbara Lenzi, que dizia que mais que uma criança "não parece fazer sentido.".
É também verdade para Rosa Andolfi, que respondeu a uma pergunta sobre ter mais uma criança como se houvesse um vampiro por perto. "Basta!". A Sra. Andolfi como que ganiu e, de seguida, fez o sinal da cruz com os dedos, atirando-a para a frente.
Esse gesto não era apenas uma brincadeira, mas significativo; tocava uma crescente realidade preocupante na Itália e em outros países europeus, cujas taxas de fertilidade têm caído a pique ao longo das últimas décadas, elevando as famílias com apenas um filho quase ao nível da norma estatística.
O texto acima, de autoria do jornalista Frank Bruni, foi publicado há 7 anos na edição de 26 de dezembro de 2002 do jornal The New York Times. O artigo revela um perfil cada vez mais comum nas famílias italianas, fato que especialistas em crescimento demográfico já vinham detectando há mais de uma década e que agora atinge proporções preocupantes. Em novembro de 1997, demógrafos de todo o mundo se reuniram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque para alertar aos governos sobre um novo problema populacional. Dessa vez, a ameaça não era uma bomba populacional, o crescimento exagerado da população mundial a ponto dos recursos matérias do planeta não serem suficientes para nos sustentar. O novo e inesperado problema mundial é a queda na taxa de fertilidade, a média de filhos por mulher. Está se tornando uma tendência mundial os casais terem menos de dois filhos.
Oculta entre as taxas abrangentes das médias usadas nas estatísticas, esta arapuca demográfica está adquirindo proporções sérias em vários países do mundo e com tendência já detectada no Brasil. E o que é pior, o problema vai mais além da esfera política e econômica. Atinge em cheio o cristianismo e mais especificamente a obra de evangelização mundial. A aversão das famílias por mais de um filho toca uma realidade preocupante especialmente em países como a Itália, onde as taxas de fertilidade têm caído vertiginosamente ao longo das últimas décadas, tornando as famílias com apenas um filho praticamente como uma norma cultural.
Um estudo de análise demográfica do Instituto Max Planck de Rostock, na Alemanha, verificou que todos os países europeus apresentam taxa de natalidade baixa demais para manter seu atual nível populacional. A pesquisa, publicada na revista alemã Pesquisa Demográfica em Primeira Mão revela um dado alarmante. Segundo os pesquisadores, nenhum dos Estados europeus atingiu o assim chamado "nível de reposição" da média de 2,1 filhos por mulher, através do qual a geração dos filhos pode substituir a de seus pais.
O nível de reposição da população é o ponto do equilíbrio em que a população de um país não aumenta nem diminui. A fim de manter a população atual, a mulher deve ter 2,1 filhos durante a sua vida. Essencialmente, isso significa substituir-se a si e a um homem. Uma vez que algumas crianças morrerão antes de alcançarem a maturidade, é necessário um pouco mais de 2 filhos. Daí, a importância do número 2,1.
Segundo projeções da ONU, no ano 2015 serão quase noventa países, metade, portanto, dos 180 países do mundo em que a taxa de fertilidade terá caído abaixo do índice mínimo de reposição populacional.
Basta uma simples conta matemática para que possamos compreender a dimensão do problema. Antes de fazermos as contas, para que possamos avaliar o significado dos números, vejamos uma definição do que significa cultura: numa visão antropológica, podemos o definir cultura como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc. Pois bem, tendo essa definição em mente, para que uma cultura seja mantida por mais de 25 anos é necessário uma taxa de fertilidade de 2,1 crianças por família. Qualquer valor menor que este índice, a cultura de um país ou um povo entrará em decadência.
Historicamente, nenhuma cultura sobreviveu a uma taxa de 1,9. Foi assim que sorrateiramente grandes povos do passado acabaram desaparecendo, sendo absorvidos por outros povos. Um exemplo clássico disso é o povo mongol. No século 13 os mongóis formavam um dos maiores impérios que o mundo já viu. Sua ambição era a de possuir todas as terras entre os oceanos Pacífico e Atlântico e eles quase conseguiram. Porém, lenta, gradual e progressivamente, os mongóis foram absorvidos pela milenar cultura chinesa. Os mongóis na China deixaram de ser mongóis e passaram a agir como chineses, a pensar como chineses, a serem chineses! A taxa de fertilidade entre os mongóis era de apenas 1,7. Um outro tipo de processo aconteceu nos primórdios de Roma. A Etrúria era um evoluído reino que chegou a colonizar grandes porções da Itália entre os anos 1200 e 700 a.C, inclusive territórios da ainda tribal e guerreira Roma. Porém as famílias etruscas são historicamente conhecidas por terem uma baixa taxa de natalidade. Em poucos anos os romanos dominaram todas as terras da Etrúria e diluíram sua cultura. Os etruscos desapareceram (não confundir com o reino da Etrúria mais recente, estabelecido por Napoleão Bonaparte e que durou de 1801 a 1807). Nos tempos do imperador Julio Cesar os romanos eram extremamente preocupados com medo de não produzirem crianças suficientes, em número suficiente para a posteridade de Roma. A nobreza estéril pagã apagou a idéia da descendência da mente dos romanos e todo o império adotou um rígido controle de natalidade. Veio a sucumbir no ano 476 sob os bárbaros.
O mais impressionante é que muitos demógrafos admitem a existência de um ponto de não-retorno, um índice a partir do qual as consequências do declínio na fertilidade são tão graves que tornaria inevitável a queda ao abismo demográfico - a extinção de toda a sociedade. Esse ponto de não-retorno seria de 1,3 filhos por mulher. A alegação de que essa taxa seria estatisticamente impossível reverter tem sido um ponto de acalorados debates e divergências. A explicação é de que seriam necessárias mais de 8 décadas para que toda uma nova geração pudesse nascer e corrigir o problema. Ocorre que 8 décadas de espera significaria o colapso de todos os setores da economia de um país. Em termos populacionais, significaria a extinção. Com a taxa de fertilidade a 1,3, em 40 anos um país terá perdido quase a metade de sua população. Portanto, antes de completar as 8 décadas a população já teria desaparecido.
Na Itália, onde a taxa de fertilidade em 2001, foi de 1,2, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o ministro do trabalho na época, Roberto Maroni, havia anunciado que o custo, para o estado, do sistema de pensões de reforma, teria de ser reduzido. O Sr. Maroni disse que o governo iria oferecer incentivos, que não especificou, para conservar as pessoas a trabalharem para além da idade mínima de reforma, aos 57 anos.
Em toda a Itália percebe-se a escassez de crianças nas ruas e ao longo da última década muitas escolas primárias já foram fechadas. A taxa de fertilidade italiana tem sido a mais baixa de toda a história — menos de 1,5 desde 1984, com períodos que variaram até 1,2.
As Nações Unidas publicaram recentemente dados que sugerem que a população da Espanha poderá diminuir dos atuais 39,9 milhões para apenas 31,3 milhões em 2050. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a taxa de fertilidade na Espanha em 2001, foi de apenas 1,1, a mais baixa da Europa ocidental.
Muitas províncias do rico e educado norte de Itália, têm taxas de fertilidade muito abaixo dessa. Já temendo as consequências desses números, no dia 14 de novembro de 2002, o Papa João Paulo II discursou no Parlamento italiano afirmando que "a crise na taxa de nascimentos" na Itália era uma "grave ameaça que pende sobre o futuro do país." Na verdade, João Paulo II tinha motivos a mais para se preocupar. Veremos isso adiante.
Na Espanha, na Suécia, na Alemanha e na Grécia, a taxa de fertilidade total — ou o número médio de filhos que se espera que uma mulher dê à luz, baseados nos indicadores atuais, — era de 1,4 ou menos, em 2001, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
Esta taxa não atingiu os 2,1 em nenhum país europeu — a marca que, de acordo com os demógrafos, significaria a exata renovação da população. Em sua edição 1521, de 12 de novembro de 1997, a revista Veja publicou uma matéria mostrando a gravidade do problema na Itália. A revista ouviu Joseph Chamie, chefe da divisão populacional da ONU. Na matéria assinada pelo jornalista Eurípedes Alcântara, o texto diz o seguinte: O relato sobre a situação da Itália foi o mais dramático. Um dos países que mais cresciam populacionalmente na Europa nos anos 60, a Itália viu a taxa de fertilidade de suas mulheres cair para 1,2. É a mais baixa taxa de reposição populacional registrada na História moderna. Os impactos já se fazem sentir. A média de alunos no 1º ano escolar caiu de 22 por classe há cinco anos para apenas oito crianças. O número de nascimentos de 1 milhão por ano reduziu-se para 500.000. "Obviamente quem pensava ser pediatra ou professor na Itália deve considerar uma mudança de planos", afirma Chamie. A longo prazo os efeitos são mais profundos. No ano 2030, mantida a mesma tendência, a Itália terá apenas 42 milhões de habitantes (tem 57 milhões hoje) e enfrentará graves déficits na Previdência, porque para cada três aposentados apenas um italiano estará em idade de trabalhar. "O mais surpreendente é que não houve campanhas públicas de controle da natalidade na Itália", explica Chamie. "São mudanças individuais espontâneas e, portanto, irreversíveis."
O problema que vem ocorrendo na Itália, a princípio pode parecer algo difícil de entender, mas a explicação é simples. Se dois casais tem apenas um filho cada, em termos numéricos esses filhos equivalem a metade do que havia de pais. Prosseguindo, se esses filhos na idade adulta também tiverem apenas um filho, em menos de 80 anos toda essa sequência familiar estará reduzida a apenas 1/4 de pessoas. Em outras palavras, para cada 4 avôs haverá somente 1 neto. Um país com uma economia saudável e um crescimento econômico contínuo é largamente sustentado pelo aumento da população. As pessoas são consumidoras. Mais consumidores significa mais dinheiro. Mais dinheiro significa uma economia mais saudável. Com 1,9 filhos por mulher, a população está diminuindo a ponto de haver um colapso populacional, em que a população não é mais tão grande para suportar uma economia funcional. Sem uma economia eficiente, a força de trabalho torna-se menor, as mulheres precisam trabalhar para ajudar nas despesas domésticas e as pessoas evitam ter filhos. Taxas de fertilidade menores de 1,9 indicam que os filhos tornam-se adultos, envelhecem e morrem antes que haja qualquer possibilidade de recomposição familiar. A redução da natalidade faz gerar não só crescente número de famílias sem filhos, mas também uma redução de filhos por família. Pois é exatamente isso que vem acontecendo na Europa e em vários outros países, com proporções mais graves na Itália. A uma taxa de 1,3 é considerado impossível reverter o quadro.
Para cada milhão de bebês nascidos no ano 2000, não haverá 2 milhões de pessoas em 2030. Isso significa menos força de trabalho o que leva as pessoas a evitarem filhos. Enquanto a população encolhe, acontece a mesma coisa com a cultura.
Alguns índices de fertilidade são preocupantes: 1,24 na Itália, 1,27 na Espanha, 1,30 na Alemanha, 1,70 na França, 1,78 na Inglaterra. Na União Europeia onde são 31 os número de países integrantes, o índice de fertilidade está abaixo de 1,38. Muito distante do nível de substituição. Esse índice é tão baixo que é considerado impossível reverter esse quadro.
Acredite! Dentro de menos de um século os europeus não mais existirão. Não da forma como os conhecemos. Não haverá mais europeus descendentes da população européia tradicional.
Vários fatores contribuem para o declínio demográfico. "As pessoas estão a estudar durante mais tempo, e, portanto encontram trabalho mais tarde, quando existe trabalho para elas, e logo casam-se mais tarde, o que não significa necessariamente que venham a ter filhos", disse Valerio Terra Abrami, chefe do Departamento de Estatística Social do Instituto Nacional de Estatística italiano.
Os homens e as mulheres ao retardarem o casamento, reduzem a probabilidade de terem mais do que um ou dois filhos. Hoje, no ocidente, quase um em cada dois casamentos terminam em divórcio. Os filhos do divórcio têm uma menor probabilidade de se casarem e constituírem família.
Mais mulheres casadas estão a optar por não terem filhos para não prejudicarem as suas carreiras profissionais. Depois dos 35 anos, torna-se progressivamente mais difícil às mulheres conceberem.
A comunicação social e os meios de entretenimento apregoam aos jovens adultos que a satisfação vem das carreiras, do romance sem responsabilidade, viagens e “do enriquecimento pessoal” - não de ter filhos. A mensagem dos meios de comunicação é viva-para-o-momento e viva em primeiro lugar para si mesmo, com nenhum sentido de obrigação para com as gerações anteriores ou preocupação pelo futuro.
O crescimento da coabitação também tem impacto. Na Escandinávia, quase tantos casais estão a viver casados como apenas juntos. A coabitação não é propícia a nascimentos nem a cuidar de crianças.
A secularização conduziu a uma falta de sentido nos jovens. Na maioria dos países, há uma correlação direta entre a frequência semanal aos serviços religiosos e o índice de natalidade. Aqueles que acreditam que a vida tem um sentido final têm filhos. Aqueles que não acreditam, não têm.
O que isso tem haver com a igreja e a obra missionária?
Em poucos anos a Europa como nós a conhecemos hoje, deixará de existir. Não, a Europa não será um continente vazio e desolado. As lojas e avenidas não ficarão desertas. Mesmo com o baixíssimo índice de fertilidade, a população da Europa não está declinando.
Na Itália, tal como em outros países da Europa ocidental, a baixa taxa de fertilidade está interligada com um conjunto de outras questões — a imigração, por exemplo. Enquanto muitas pessoas e muitos políticos da Europa gostariam de estancar a crescente maré de novas chegadas de imigrantes ao longo das últimas décadas, poderão vir a ser forçados a aceitá-los, simplesmente para preencher os empregos e manter os níveis de produtividade.
De todo o crescimento da população européia desde 1990, 90% tem sido por causa da imigração islâmica.
A taxa de fertilidade entre as famílias francesas oscila em torno de 1,70, enquanto nas famílias islâmicas é de 8,1. O sul da França já foi uma região conhecida tradicionalmente por seu grande número de igrejas cristãs. Agora há mais mesquitas do que igrejas e 30% da população com menos de 20 anos são islâmicos. Em cidades maiores como Nice, Marselha e Paris esse número sobre para 45%. Em 2027, 1 em cada 5 franceses, será muçulmano.
Nos últimos 30 anos, a população muçulmana na Inglaterra cresceu de 82 mil para 2,5 milhões, ou seja, multiplicou em 30 vezes. Há milhares de mesquitas e muitas eram igrejas no passado.
Na Holanda, 50% dos recém nascidos são muçulmanos e em 15 anos, 50% da população holandesa será de muçulmanos.
Na Rússia, há mais de 23 milhões de muçulmanos, quer dizer, um em cada cinco e 40% dos soldados da Rússia são muçulmanos.
Na Bélgica, 25% da população e 50% dos recém nascidos são muçulmanos. Em 2025, 1/3 de recém nascidos na Europa será nascido em família muçulmana. Isso é daqui a 16 anos.
Já vimos essa história acontecer antes com a Turquia. Até o século 18 a Turquia ainda era um proeminente centro cristão. As cartas endereçadas às 7 igrejas da Ásia mencionadas no livro de Apocalipse ficavam onde hoje é o território turco. Ali nos primórdios do cristianismo o evangelho cresceu e se espalhou, formando grandes comunidades de crentes em Cristo. A partir do século 19 as altas taxas de imigrantes muçulmanos oriundos da ilha de Creta transformou a paisagem da Turquia. Hoje a representação de cristãos no país é irrisória.
A igreja precisa acordar urgentemente a fim de mover esforços missionários para a Europa, especialmente países como a Itália e a Espanha, que disputam a liderança dos primeiros a irem para o abismo demográfico. Os Semeadores Missionários com Paixão pelas Almas, por exemplo, já mantém os Projetos Seara-Espanha e Seara-Itália. Entretanto, ainda aguarda mais mantenedores para o prosseguimento do Projeto Seara-Itália. Se nada for feito imediatamente, amanhã a Europa poderá se transformar num dos maiores desafios missionários, tornando-se totalmente fechada ao Evangelho, a exemplo do que já ocorre com outros países islâmicos.
O que estamos fazendo? O que estamos esperando? A igreja brasileira tem sido altamente inoperante quando se trata de Europa. A igreja foi mal acostumada com a idéia absolutamente errônea de que missionários só devem ser enviados para áreas de florestas, desertos ou em localidades onde reina a miséria. Essa visão mesquinha de missões pode custar muito caro para a igreja brasileira e certamente Deus irá requerer essa responsabilidade de nossas mãos. Responsabilidade que estamos negligenciando, pois missões deve ser feita em todo o mundo, onde houver um povo necessitando ouvir o Evangelho. Atualmente, os italianos são um desses povos. A Itália requer atenção urgente por parte da igreja, pois o povo italiano está a caminho da extinção.
No nosso continente, os números apontam para trajetória semelhante. No Canadá, a taxa de fertilidade é de 1,74, bem abaixo dos 2,1 necessários para manter uma cultura e o islã é a religião que mais cresce. Entre 2001 e 2006, a população do Canadá aumentou em 1,6 milhões e desses 1,2 milhões foram em virtude de imigração. Nos Estados Unidos a taxa de fertilidade é de 1,6. Porém com a imigração de latinos, subiu para 2,1 - o mínimo necessário para manter uma cultura. Em 1970 havia 100 mil muçulmanos nos Estados Unidos, hoje há 9 milhões.
É hora da igreja despertar de sua negligência missionária!
O mundo em que vivemos não será o mundo em que as nossas crianças viverão. No final de março de 2008 a Igreja Católica anunciou na publicação da Santa Sé, o "L"Osservatore Romano", que pela primeira vez na história o islamismo ultrapassou o número de católicos. O papa João Paulo II faleceu antes de ver esse dia, mas provavelmente essa era uma de suas preocupações no discurso feito em novembro de 2002 no Parlamento italiano. Naquela dada os números já indicavam que isso iria acontecer.
Em vista dos índices de crescimento mostrados, em 5 ou 7 anos, o islamismo poderá se tornar a religião predominante no mundo.
Convocamos você a fazer algo pelo Evangelho agora, nesta geração. Convocamos você, servo do Senhor, a erguer os olhos e ver os campos na Itália que já estão brancos para a ceifa. Faça alguma coisa, agora! O Senhor da Seara precisa de crentes dispostos, atentos e com o coração aberto para agir!
No Brasil, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de fecundidade média já vem apresentando uma curva em declínio desde a década de 1970, passando de 5,8 filhos por mulher para 2,3, em 2000.
Acompanhe esses números. Taxa de Fertilidade no Brasil: 2003=2,01, 2004=1,93, 2005=1,93, 2006=1,91, 2007=1,88, 2008=1,86. Em quantos anos chegaremos a 1.3? As estatísticas de 2003 em diante são da CIA World Factbook - uma publicação da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/).
A única salvação para a Europa e o futuro de nossa descendência é o fortalecimento da família. Isso só é possível através do Evangelho, pois é nele que podemos encontrar as bases mais sólidas, fundamentadas por Deus, para a formação da família. A única forma desses números se reverterem é através de missões. Os muçulmanos já estão há mais de 20 anos fazendo a parte deles. É nós? O que temos feito?

Bibliografia:
http://www.nytimes.com/2002/12/26/world/persistent-drop-in-fertility-reshapes-europe-s-future.html?scp=1&sq=Gianluca%20Valenti&st=cse
http://www.montemuro.org/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=548&Itemid=2
http://www.dm.com.br/materias/show/t/taxa_de_fertilidade_no_pas__igual__da_china_diz_pesquisa
http://www.godsplanforlife.org/O%20Plano%20de%20Deus%20para%20a%20Vida/Population/Fertility%20Rates%20Portuguese.htm
http://opiniaoenoticia.com.br/vida/tesoureiro-australiano-cria-polemica-sobre-taxa-de-fertilidade/
http://indexmundi.com/pt/uniao_europeia/taxa_de_fertilidade.html
http://indexmundi.com/g/g.aspx?c=ee&v=31&l=pt
http://veja.abril.com.br/121197/p_110.html
Revisa Veja, edição 1521 - 12 de outubro de 1997, páginas 110 e 111
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3938486,00.html
http://www.youtube.com/watch?v=VZ3QvIdyQZ


sábado, 15 de agosto de 2009

Link para mensagens do Pr. Ariovaldo Ramos

O Pr. Ariovaldo Ramos é, sem dúvida, um dos maiores pensadores cristãos da atualidade. Vale muito a pena ouvir suas mensagens. Abaixo estão alguns links onde você pode encontrar suas mensagens.
  • Batista de Água Branca - www.ibab.com.br/mensagens.html
  • Site oficial do Pr. Ariovaldo Ramos - www.irmaos.com/ariovaldoramos